Milícia "Sétima Brigada" ameaça violar frágil cessar-fogo na capital líbia

A milícia líbia "Sétima Brigada" ameaçou hoje violar o cessar-fogo negociado na semana passada pela ONU, que pôs fim a dez dias de combates entre milícias em Tripoli, os piores desde o início da guerra civil, em 2014.

Em comunicado citado pela agência noticiosa espanhola Efe, a milícia, uma das mais importantes da capital líbia, advertiu que prosseguirá as suas operações no sul da cidade "até erradicar o crime e o 'jihadismo'".

"A Sétima Brigada não tem qualquer agenda oculta nem uma orientação política ou religiosa em particular", assegurou, antes de afirmar que não partilha da decisão do Governo de Acordo Nacional (GNA), apoiado pela ONU em Trípoli, de pôr a capital em alerta máximo.

"O controlo que algumas milícias exercem sobre as instituições estratégicas do Estado impede a prestação de serviços aos cidadãos. Instamos as milícias a que se unam à nossa força para acabar com a manipulação e o crime", indicou.

Os combates, que fizeram 63 mortos, entre os quais muitos civis, colocaram em evidência a debilidade do Governo apoiado pela ONU em Trípoli e a sua incapacidade para controlar as dezenas de milícias que dividem a cidade.

A situação desencadeou uma tragédia humanitária na cidade, com mais de 1.800 famílias deslocadas, obrigadas a fugir de casa e a procurar refúgio em escolas e hospitais nos bairros do norte e da periferia.

As hostilidades começaram no bairro de Salehedin, uma zona que permite o acesso ao antigo aeroporto internacional da cidade, controlada pela "Sétima Brigada" e pelas milícias da vizinha Tarhouna, cidade situada a cerca de 60 quilómetros a sul de Trípoli.

A essas milícias juntaram-se, nos primeiros dias, Salah Badi - antigo líder revolucionário e vice-presidente da câmara da cidade de Misrata, aliado do Governo islâmico que perdeu as eleições em 2014 e acusado de ser um dos responsáveis pela guerra civil em curso -- e algumas milícias da poderosa cidade ocidental de Zintan, uma das mais poderosas do país.

Do lado contrário, lutavam as Brigadas Revolucionárias de Tripoli (TRB), do senhor da guerra Haizan Tajouri, e a Força Especial de Dissuasão (RADA), do salafista Abdel Rauf Kara, que controlam os Ministérios do Interior e da Defesa do GNA, executivo financiado pela União Europeia.

Nos termos do cessar-fogo imposto pela ONU, todas as milícias deviam retirar o seu armamento pesado, voltar às posições iniciais e abandonar todas as estruturas vitais, cuja segurança deveria ser transferida para uma nova força dependente do GNA.

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