Milhares saem à rua nos Estados Unidos no segundo dia da "Marchas das Mulheres"

Milhares de pessoas saíram hoje à rua em várias cidades dos Estados Unidos, no segundo dia de "Marchas das Mulheres" que tiveram como principal motivação incentivar ao recenseamento eleitoral das mulheres.

Aos lemas em defesa da igualdade de género dos protestos de sábado, que coincidiram com o primeiro aniversário da chegada à Casa Branca do atual Presidente norte-americano, Donald Trump, somaram-se hoje mensagens que procuraram impulsionar a mobilização, em especial entre os democratas, para as eleições legislativas intercalares de novembro próximo, consideradas um referendo ao desempenho de Trump.

Logo pela manhã, centenas de pessoas começaram a encher as tribunas do Estádio Sam Boyd, em Las Vegas, que por volta do meio-dia estava a quase metade da sua capacidade e onde os organizadores convidavam ao registo de votantes, defendendo também que as mulheres deveriam candidatar-se a cargos públicos.

Ali, é esperada a participação da poeta Jessica Washington, entre outros oradores representantes de grupos como os "Sonhadores", como são conhecidos os imigrantes beneficiários da Ação Diferida (DACA), o programa migratório promulgado pelo Presidente Barack Obama que salvou da deportação cerca de 800.000 jovens indocumentados e que Trump eliminou em setembro passado.

Os promotores desta "Marcha das Mulheres" escolheram como sede especial para o segundo dia o Nevada, um estado norte-americano cujo eleitorado vota ora no Partido Republicano ora no Democrata e que, nas últimas presidenciais se pronunciou a favor da candidata democrata, Hillary Clinton.

Após as multidões que desfilaram no sábado, com grandes concentrações em cidades como Nova Iorque e Los Angeles, e uma declarada oposição à agenda da Administração Trump, as de hoje brandiram sobretudo bandeiras e cartazes pela inclusão e pelos direitos das mulheres, dos imigrantes e da comunidade LGBT.

Em Miami, Florida, milhares de pessoas concentraram-se no bairro artístico de Wynwood, no âmbito da campanha "PowerToThePolls" (O Poder Ao Voto), agendada para hoje durante as marchas.

No espaço multiúsos Mana, mais de 1.000 pessoas, segundo a imprensa local, juntaram-se para promover o recenseamento de votantes e criticar a eliminação de numerosas normas de proteção ambiental levada a cabo pelo Governo Trump.

As marchas deste fim de semana nos Estados Unidos, com réplicas a nível global, nas principais cidades do planeta, em torno dos direitos das mulheres, seguem o impulso dado pelas concentrações de 21 de janeiro de 2017, realizadas um dia após a posse de Trump como 45.º Presidente dos Estados Unidos.

Nesse dia, mais de meio milhão de pessoas, entre as quais muitas mulheres brandindo objetos simbólicos e usando roupa e laços cor-de-rosa tomaram as ruas de Washington para enviar uma contundente mensagem de resistência ao magnata do setor imobiliário, no seu primeiro dia como inquilino da Casa Branca.

Na Europa, as marchas reuniram hoje centenas de pessoas em diversas capitais como Londres, Berlim, Paris e Madrid, não só em defesa dos direitos das mulheres e contra a violência sexual, como também em protesto contra a política do chefe de Estado norte-americano.

Ler mais

Exclusivos