México reconhece encontro com soldados norte-americanos em território dos EUA

Cidade do México, 24 abr 2019 (Lusa) -- O México reconheceu hoje que em 13 de abril militares mexicanos "cruzaram-se com dois soldados norte-americanos" numa zona em que o traçado da fronteira não é preciso, mas reconheceu que ocorreu "dentro do território" dos EUA.

O ministério dos Negócios Estrangeiros mexicano indicou que os soldados norte-americanos "realizavam operações de apoio num veículo sem identificação que se encontrava a sul da vala fronteiriça, dentro de território dos Estados Unidos, numa zona em que os limites da fronteira não são claros devido à sua geografia".

"Após a investigação correspondente, determinou-se que o veículo dos militares desse país se colocou a norte da vala fronteiriça para evitar confusões", assinalou o texto.

A diplomacia mexicana argumentou que "este género de incidentes é comum, sempre que ocorre uma verificação de patrulhamento normal, sem consequências para os dois governos, que mantêm uma comunicação permanente e fluida", e que sobre este aspeto em particular estiveram em contacto direito e oportuno".

"O México reitera a sua disposição plena para manter uma boa relação bilateral baseada na confiança e respeito mútuo", sinalizou.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, voltou hoje a ameaçar, através da rede social Twitter, encerrar a fronteira com o México para travar os migrantes.

Trump argumentou que soldados mexicanos "apontaram armas recentemente" contra efetivos da Guarda Nacional norte-americana, considerando que se tratou "provavelmente" de uma tática de distração para os traficantes de droga na fronteira.

Ao pronunciar-se sobre esta questão, o Presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, respondeu que o seu país não cairá "em nenhuma provocação".

"O mais importante é dizer que não vamos entrar em conflito com o Governo dos Estados Unidos", disse Obrador ao ser questionado na sua conferência de imprensa matinal sobre a nova ameaça de encerramento da fronteira emitida por Trump.

"Vamos rever o caso, ter em consideração que foi assinalado e assegurar que da nossa parte haverá sempre uma atitude responsável e de respeito ao Governo e ao povo dos Estados Unidos", acrescentou o chefe de Estado mexicano.