Manuel Costa reinventa a música tradicional açoriana com o seu primeiro disco

O músico açoriano Manuel Costa assume a sua "missão e visão" de reinventar a música tradicional açoriana, com o disco "Eu Sou uma Ilha", que levou ao palco do Teatro Micaelense, em São Miguel, este sábado.

Manuel Costa é professor de História e diretor do Museu do Pico, mas a música esteve sempre presente no seu percurso, tendo tocado em grupos folclóricos, conjuntos de baile e no Grupo Coral das Lajes do Pico.

O primeiro disco, "Eu Sou uma Ilha", surgiu em 2018, aos 57 anos, porque foi então que sentiu que "estavam reunidas as condições necessárias", declarou à agência Lusa depois de ter atuado no sábado em Ponta Delgada.

No disco, visita "o cancioneiro popular, esse património oral fantástico da música [açoriana], que é um património extraordinário, em número e, também, em qualidade", procurando que "fosse trespassado por uma lógica contemporânea, de uma certa reinvenção da tradição, mas sem ser muito sofisticado nem muito elaborado".

Manuel Costa acredita que "não há contemporaneidade nem há modernidade na arte, e na música em particular, que não enxerte no chão", por isso procurou "ir beber da seiva matricial do chão, que vem com os povoadores e com a forma açoriana de sentir, de viver, de amar, de morrer".

O seu trabalho, contudo, não se encerra no arquipélago, já que admite que sempre cruzou "a açorianidade e a expressão local da música açoriana com músicas do mundo", particularmente com "a chamada música da lusofonia, da atlanticidade, da africanidade", que se liga com os "portugueses e com os açorianos que aqui permaneceram ao longo dos séculos no meio do Atlântico Norte".

O disco, que já adia "há 20 anos", ainda que não sentisse uma necessidade clara de o gravar, veio no seguimento de um convite para atuar na Semana dos Baleeiros, nas Lajes do Pico, e que o levou a convidar muitos dos músicos que o acompanham.

Impulsionado pelo contrabaixista Mike Ross, que foi "uma espécie de timoneiro" do projeto, explicou Manuel Costa, acabou por juntar, também, Paulo Vicente, no piano, Francisco Costa, na percussão, e, mais tarde, Manuel Rocha, no violino, e Rafael Carvalho, na viola da terra.

O músico admite que foi por ter encontrado "estes músicos de grande sensibilidade" que sentiu "ter as condições reunidas" para avançar com a gravação do álbum.

E foi a partir daí que materializou a visão que tinha para "uma espécie de viagem antológica", que é feita passando por 16 temas que convocam a açorianidade, cantando temas de grandes nomes da música açoriana, como José de Medeiros, Luís Alberto Bettencourt ou Aníbal Raposo.

Com este trabalho, Manuel Costa embarca na missão de "divulgar o património histórico da música açoriana", que "é uma música de altíssima qualidade" que muita gente desconhece.

"Nós não somos uma região ultraperiférica só do ponto de vista económico e do ponto de vista político, somos também do ponto de vista cultural, muitas vezes, na música mais do que noutras expressões", lamenta.

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