Mais 100 exemplares de insetos em exposição no Instituto de Higiene e Medicina Tropical

Mais de 100 exemplares de insetos estão patentes até 28 de fevereiro de 2019 na III Mostra da Entomoteca inaugurada hoje, em Lisboa, e que pretende divulgar o percurso histórico da entomologia médica em Portugal.

Em declarações à agência Lusa, Ana Rita Lobo, investigadora no Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia (CIHCT) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova Lisboa e no Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), referiu que a exposição consiste no "resultado de um trabalho de investigação" que têm vindo "a desenvolver ao longo dos últimos três anos" e que pretende abordar e refletir "o percurso da entomologia médica em Portugal no contexto da medicina tropical".

Nesta exposição, apresentada hoje ao público, no IHMT, no âmbito da 9.ªs Jornadas Científicas, estão patentes insetos com importância médica entre 1902 e 1966.

A entomologia médica, segundo a investigadora, é a "disciplina que estuda os insetos com importância médica e que têm relevância na transmissão de doenças".

De acordo com Ana Rita Lobo, estão presentes na III Mostra da Entomoteca exemplares de insetos "resultantes de missões de estudo da doença do sono", predominante na África, mas também vários mosquitos portadores da malária e da febre amarela.

A coordenadora da exposição indicou à Lusa que existem na mostra espécies de insetos provenientes da África, Índia e do Brasil.

"Temos aqui exemplares com mais de 100 anos. O exemplar mais antigo datado que nós temos é de 1904", sublinhou.

Ana Rita Lobo explicou que o material entomológico patente na exposição pertence à Entomoteca da entomologia médica do IHMT.

"Há uma Entomoteca onde têm sido preservados e guardados estes exemplares que se vão colecionando ao longo dos anos", elucidou.

Segundo a investigadora, esta é a "primeira mostra que tem o objetivo de mostrar a entomologia médica do ponto de vista histórico" e que pretende pela primeira vez "traçar um percurso geográfico" desta disciplina que estuda os insetos.

Presente na 9.ª Jornadas Científicas, Cátia de Albuquerque, bolseira de doutoramento no Global Health and Tropical Medicine do IHMT, apresentou a sua tese intitulada "Porque não houve casos de Doença por Vírus Ébola na Guiné-Bissau durante a epidemia de 2013- 2015 na África Ocidental -- perceções de atores chave" e mencionou os motivos de o país não ter sido atingido pela epidemia do vírus Ébola.

No terreno, Cátia Albuquerque observou que os guineenses afirmavam que "Deus é guineense" e que foi Deus que os protegeu da epidemia do vírus Ébola.

"O que nós fomos fazer foi perceber que espaço é que ocupa a religiosidade do povo", frisou a bolseira, acrescentando que tentou entender que dimensão ocupa a "crença na comunidade e que impacto" é que isso "tem para a potencial redução de casos" do vírus Ébola.

Em 14 de janeiro de 2016, a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou oficialmente o fim da epidemia de Ébola na África Ocidental.

Iniciada em dezembro de 2013 na Guiné-Conacri, a epidemia propagou-se depois aos vizinhos Libéria e Serra Leoa, três países que concentraram 99% dos casos, bem como à Nigéria e Mali.

Em dois anos, o vírus da doença, identificado pela primeira vez há quatro décadas, chegou, importada, a Espanha e aos Estados Unidos, tendo afetado 28.637 pessoas e vitimado mortalmente 11.315 delas.

A exposição "III Mostra da Entomoteca Henrique Ribeiro e Helena Ramos -- A Entomologia Médica e a Medicina Tropical portuguesa (1902-1966)" está aberta ao público até 28 de fevereiro de 2019, no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa.

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