Madeira vai atuar judicialmente contra TVI devido a programa sobre Hospital do Funchal

O Governo da Madeira vai atuar judicialmente contra a TVI, na sequência de um programa emitido na terça-feira, onde foi referido que o Hospital Central do Funchal encaminha pacientes para uma clínica privada embora disponha do serviço requisitado.

"Os organismos competentes irão pronunciar-se sobre esta questão", afirmou o secretário regional da Saúde, Pedro Ramos, em conferência de imprensa, vincando que o executivo ficou surpreendido com "o teor, a forma, o conteúdo e a orientação do debate", uma vez que "foram proferidas afirmações e feitos comentários que não correspondem à realidade".

A investigação feita pela TVI, no âmbito do programa da jornalista Alexandra Borges, concluiu que o Hospital do Funchal encaminha pacientes para fazer exames de medicina nuclear numa clínica privada, enquanto a sua própria unidade de medicina nuclear, inaugurada em 2013, está "praticamente parada".

"Criou-se uma situação de falta de respeito, de tentar dizer que o Serviço Regional de Saúde (SESARAM) e os seus profissionais são desonestos, que a gestão do Serviço Regional de Saúde tem de ser posta em causa", lamentou Pedro Ramos.

O governante explicou que 90% do investimento feito com recurso à clínica privada diz respeito à radioterapia, um serviço que o Hospital Central do Funchal não dispõe, e apenas 10% está relacionado com a medicina nuclear.

"A partir do momento em que tivemos a unidade de medicina nuclear a trabalhar, em 2017, em 15 meses de atividade temos já 3.600 exames realizados", disse, realçando que estes números provam que os exames passam a ser realizados no serviço público a partir do momento em que este tem "capacidade instalada".

Pedro Ramos indicou, por outro lado, que já foi estabelecido um novo contrato com a clínica privada, exclusivamente para tratamentos de radioterapia, no valor de 14 milhões de euros, para vigorar nos próximos cinco anos.

"O SESARAM está a gastar cerca de três milhões de euros por ano para a radioterapia e, em termos de medicina nuclear, é uma verba muito menor", esclareceu.

A atual equipa de Medicina Nuclear do SESARAM é composta por um médico, dois técnicos (sendo que um está ausente por questões de maternidade), um enfermeiro, um assistente técnico, dois assistentes operacionais, um farmacêutico a tempo parcial e um físico que colabora a tempo parcial.

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