Lula da Silva critica investigadores da operação Lava Jato após detenção de Temer

O ex-Presidente do Brasil Lula da Silva, preso por corrupção desde abril do ano passado, criticou hoje as autoridades que dirigem a operação Lava Jato e que hoje detiveram o também antigo chefe de Estado Michel Temer.

"Instituições poderosas, como o Ministério Público e a Polícia Federal, não podem ficar a fazer espetáculo. Todo aquele que cometer um crime, se o crime for provado, tem de ser punido", escreveu Lula da Silva na rede social Twitter.

"Seja o Temer ou o Lula. Seja o FHC [Fernando Henrique Cardoso] ou o Bolsonaro. Ninguém pode ser preso sem o devido processo legal", acrescentou o antigo chefe de Estado brasileiro.

Embora Lula da Silva esteja preso, as suas contas nas redes sociais são atualizadas por assessores que escrevem mensagens orientados por ele.

Neste caso, fontes do Instituto Lula confirmaram à agência espanhola Efe que Lula da Silva transferiu a mensagem aos seus advogados durante uma visita à sede da Polícia Federal Curitiba, onde está preso desde 07 de abril de 2018, após condenação num processo da operação Lava Jato.

A declaração de Lula da Silva aconteceu horas depois de Temer ser detido sob a acusação de administrar uma organização criminosa que desviou cerca de 1.800 milhões de reais (cerca de (420 milhões de euros) em 40 anos.

Michel Temer foi preso na manhã de hoje numa ação realizada a pedido dos investigadores da operação Lava Jato do Rio de Janeiro.

Em causa estão denúncias do empresário e dono da Engevix, José Antunes Sobrinho, que disse à Polícia Federal ter pagado um milhão de reais em subornos a pedido do coronel João Baptista Lima Filho (amigo de Temer), do ex-ministro Moreira Franco e com o conhecimento do Presidente Michel Temer.

Desde o seu lançamento, em março de 2014, a chamada investigação Lava Jato levou à prisão empresários e políticos.

Durante o mandato presidencial, o Ministério Público pediu por duas vezes ao Supremo Tribunal a abertura de processos por corrupção contra Temer, mas o Congresso brasileiro negou sempre autorizar os procedimentos necessários.

Todas as acusações ficaram, por isso, pendentes do fim da imunidade de Michel Temer, o que aconteceu quando deixou a Presidência da República do Brasil no final de 2018, após dois anos e meio de mandato.

Já Lula da Silva cumpre uma sentença de 12 anos e um mês de prisão após ter sido condenado em duas instâncias da Justiça brasileira por receber um apartamento no litoral de São Paulo, em troca de favores à construtora OAS.

Já este ano, o antigo chefe de Estado foi condenado no âmbito de outro processo Lava Jato a 12 anos e 11 meses de prisão, acusado de ter beneficiado de obras realizadas numa casa de campo em Atibaia, no interior do Estado de São Paulo.

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