Leilão de divisas leva kwanza angolano a nova depreciação

O banco central angolano anunciou hoje ter colocado no mercado primário 40 milhões de dólares (34,2 milhões de euros), no quarto leilão do mês de venda de divisas à banca comercial, com nova depreciação do kwanza.

Numa nota, o Banco Nacional de Angola (BNA) refere que o montante colocado hoje foi destinado à cobertura de operações de natureza comercial e privada em posse dos bancos comerciais e em conformidade com a regulamentação cambial vigente.

Na sessão, que envolveu 15 bancos, foi apurada a taxa de câmbio de referência de 286,963 kwanzas/dólar, quando, na última sessão, a 10 deste mês, era de 285,845 kwanzas/dólar.

Desde 01 de janeiro, quando um dólar valia 165,92 kwanzas, a moeda angolana já se depreciou 42,18%.

Em relação à moeda europeia, que na última sessão se tinha fixado nos 329,537 kwanzas/euro, manteve a tendência de depreciação, atingindo agora o valor de 330,95 kwanzas/euro, a venda, e 331,695 kwanzas/euro, a compra, dando uma taxa de câmbio de referência de 331,322 kwanzas/euro.

Comparativamente a janeiro deste ano, quando um euro valia 185,40 kwanzas, a moeda angolana já se depreciou 44,04%.

Nos quatro leilões realizados este mês, o BNA colocou no mercado primário moeda estrangeira no valor de 160 milhões de euros e 80 milhões de dólares (68,4 milhões de euros).

No início do mês, o BNA indicou que vai efetuar oito leilões de divisas em setembro, pretendendo colocar 700 milhões de dólares (598 milhões de euros), tendo-se já realizado quatro.

No documento, o banco central angolano indica que, a partir de agora, e com o objectivo de conferir maior previsibilidade ao mercado, passará a divulgar, no último dia útil de cada mês, de forma indicativa, o montante e calendário das suas intervenções no mercado cambial para o mês seguinte.

Nesse sentido, indicou que, este mês, irá proceder à venda do equivalente a 500 milhões de dólares aos bancos comerciais, incluindo "plafonds" para cartas de crédito, por via de oito leilões.

O montante, moeda e finalidades serão anunciados aos bancos comerciais nas 24 horas que precedem a realização de cada leilão.

Com os quatro leilões já realizados, o próximo ocorrerá a 18 deste mês, seguindo-se sucessivamente novas operações nos dias 20, 24 e 26.

"O Banco Nacional de Angola reitera a necessidade de as instituições financeiras verificarem rigorosamente a legitimidade e conformidade das operações cambiais que processam, considerando a legislação e regulamentação cambial e de prevenção e combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, de forma a proteger as Reservas Internacionais do País e as suas relações com o sistema financeiro internacional", lê-se no comunicado da instituição.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.