Junta de freguesia promove abaixo-assinado contra fecho da CGD no Carregado

A União de Freguesias do Carregado e Cadafais, no concelho de Alenquer, está a promover um abaixo-assinado contra o encerramento do balcão da Caixa Geral de Depósitos (CGD) na vila.

No texto do abaixo-assinado a enviar à administração da CGD, a que a agência Lusa teve hoje acesso, é referido que o encerramento do balcão vai "prejudicar milhares de clientes (singulares e empresas), uma vez que é nesta zona que reside "um terço da população do concelho", 17 mil dos 43 mil habitantes.

O presidente desta freguesia do distrito de Lisboa, José Martins (PS), disse hoje à Lusa que a própria junta, enquanto cliente, já foi notificada pela CGD em relação ao encerramento da agência, à semelhança do que está a acontecer com outros residentes na freguesia.

Na terça-feira, o autarca enviou uma carta ao conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) com a tomada de posição, aprovada na última assembleia de freguesia, contra a decisão de encerramento.

Na carta, a que a Lusa teve hoje acesso, além da população residente, os autarcas recordam que a freguesia concentra "60% das empresas e do emprego" de todo o concelho.

Por se situar na confluência de importantes nós rodoviário, possui "cerca de uma centena de empresas dedicadas às áreas da logística, transportes, transformação alimentar e metalomecânica, além de médias superfícies de distribuição".

Face a essa dinâmica, a freguesia chegou a ter agências de mais de dez bancos.

A CGD tinha 587 agências em Portugal no fim de 2017 e que quer chegar ao final deste ano com cerca de 517.

O fecho de agências foi negociado com Bruxelas como contrapartida da recapitalização do banco público feita em 2017, para que essa operação não fosse considerada ajuda de Estado.

No total, o Estado português acordou com a Comissão Europeia o fecho de 180 balcões em Portugal até 2020.

Tendo em conta que em 2017 fecharam 67 balcões e que este ano fecharão mais cerca de 70, a CGD terá ainda de fechar mais cerca de 40 agências nos próximos dois anos.

Segundo informações recolhidas pela Lusa nas últimas semanas, entre as agências da CGD que irão fechar estão São Vicente da Beira (Castelo Branco), Darque (Viana do Castelo), Grijó e Arcozelo (Gaia), Pedras Salgadas (Vila Pouca de Aguiar), Prior Velho (Loures), Alhandra (Vila Franca de Xira), Abraveses e Rua Formosa (Viseu), Louriçal (Pombal), Avanca (Estarreja), Desterro (Lamego), Carregado (Alenquer), Colos (Odemira) e Alves Roçadas (Vila Real).

Além da reestruturação da estrutura física, a CGD quer reduzir também o número de trabalhadores.

Tal como no ano passado, a CGD tem este ano aberto um plano de rescisões por mútuo acordo e de reformas antecipadas.

Em 2017, saíram da CGD em Portugal 547 trabalhadores, tendo o banco público 8.321 trabalhadores em Portugal e já este ano, no primeiro trimestre, reduziu os funcionários em 250.

O objetivo da CGD é reduzir cerca de 2.000 pessoas entre 2017 e 2020.

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