Jornalista moçambicano Hélio Filimone reclama combate à corrupção no país

O jornalista moçambicano Hélio Filimone lança segunda-feira em Maputo o livro "A Grande Corrupção", com apelos para o combate a este flagelo, "que está no centro das preocupações da sociedade moçambicana".

A obra, com 272 páginas, é prefaciada pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e conta com o posfácio da diretora do Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), Ana Gêmo Bié.

Hélio Filimone contou à Lusa que o livro contém depoimentos de governantes, juízes, procuradores, polícias e políticos sobre os malefícios da corrupção e a necessidade de combate a este mal.

O livro descreve as várias formas de roubo de dinheiro no Estado e pormenoriza as causas e manifestações da corrupção.

As consequências económicas e sociais da corrupção e os mecanismos de combate a este flagelo são também dissecados no livro "A Grande Corrupção".

"O livro aponta as vias legais que os cidadãos podem usar para denunciar casos de corrupção no país e especifica números de fundos desviados nos últimos dez anos pelos corruptos ao erário público e os montantes recuperados pela Procuradoria-Geral da República, através do Gabinete Central de Combate à Corrupção", disse Hélio Filimone.

Hélio Filimone considerou oportuno o debate sobre o tema, tendo em conta que está no centro das preocupações da sociedade moçambicana por força do caso das chamadas "dívidas ocultas".

O livro fala igualmente do número de processos de corrupção tramitados, pessoas detidas e julgadas por envolvimento em atos de corrupção.

De entre os casos mediáticos de corrupção abordados no livro, o autor escolheu o "Caso FDA", em que relata os meandros do rombo de 170 milhões de meticais (cerca de 2,4 milhões de euros), que defraudou o Fundo de Desenvolvimento Agrário (FDA) e cuja reportagem valeu a Hélio Filimone o Prémio de Liberdade de Imprensa MISA 2018.

Hélio Filimone é autor de vários livros sobre reportagens que fez na sua qualidade de jornalista.