Joana Lina torna-se a primeira mulher a governar a província angolana do Huambo

A ex-primeira vice-presidente da Assembleia Nacional angolana, Joana Lima, tornou-se hoje a primeira mulher a assumir o governo da província do Huambo, em quase 43 anos, nomeada para o cargo pelo Presidente de Angola, João Lourenço.

Joana Lina Ramos Baptista sucede a João Baptista Kussumua, que governava aquela histórica província do centro de Angola - palco de várias batalhas durante a guerra civil - desde setembro de 2016 e que foi também hoje exonerado por João Lourenço.

O ciclo de homens a governar esta província começou com o atual deputado à Assembleia Nacional Agostinho Ndjaka, da bancada do MPLA, entre 1976 e 1977, função que, na altura, lembra a agência noticiosa angolana Angop, designava-se comissário e não governador.

Seguiram-se Pedro Maria Tonha Pedale (1978-1979), Santana André Pitra Petrof (1979-1982), João Ernesto dos Santos Liberdade (1982-1984), Marques Monocapui Wassovava (1984) e Marcolino José Carlos Moco (1984-1986).

A província do Huambo também foi governada por Osvaldo de Jesus Serra Van-Dúnen (1986-1991), Graciano Mande (1991-1992), Baltazar Manuel (1995-1997), António Paulo Kassoma (1997-2008), Albino Malungo (2009-2010), Fernando Faustino Muteka (2010-2014) e Kundi Paihama (2014-2016).

A nova governadora, natural de Kamabatela, na província do Cuanza Norte, exerceu, entre 1991 a 1997, a função de secretária de Estado e Promoção e Desenvolvimento da Mulher, sendo Ministra da Família e Promoção da Mulher de 1997 a 1998.

Está também envolvida no associativismo desportivo e social, tendo sido dirigente da Federação Angolana de Futebol, do comité olímpico e paralímpico, do comité da mulher rural e já presidiu a mesa da assembleia da associação dos Economistas.

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