Irão descarta negociações bilaterais com EUA sobre acordo nuclear

O Presidente iraniano, Hassan Rohani, excluiu esta terça-feira a possibilidade de negociações bilaterais com os Estados Unidos e ameaçou reduzir os seus compromissos nucleares se não houver avanços nas reuniões com os países europeus.

O Irão encetou segunda-feira negociações com a França, Alemanha e Reino Unido para tentar salvar o acordo nuclear, após o abandono unilateral dos Estados Unidos, em 2018, e o restabelecimento de sanções económicas norte-americanas contra Teerão.

Em declarações no Parlamento iraniano, o Presidente Rohani disse hoje que não há nenhuma intenção de "manter negociações bilaterais com os Estados Unidos", acrescentando que essas conversações apenas poderão ocorrer no formato 5+1, referindo-se à inclusão dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) e da Alemanha.

Para já, o Irão procura encontrar uma solução com os três países europeus, mas avisa que se não houver avanços nestes encontros, colocará em prática um plano de redução de compromissos no atual acordo nuclear, que tinha sido anunciado.

"Se até o final da quinta-feira essas negociações não derem resultados, colocaremos em ação a terceira fase de redução de nossos compromissos", disse Rohani.

Teerão já retirou parte dos seus compromissos, tendo aumentado as suas reservas de urânio enriquecido para além do estabelecido no acordo, mas ameaça cortar ainda mais a sua resposta aos requisitos do tratado. Do lado europeu, há a consciência de que há ainda muito trabalho diplomático a fazer até se atingir algum avanço nas conversas com Teerão.

"Ainda há muito a ser resolvido" nas negociações entre os países europeus e o Irão, disse hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros de França, Jean-Yves Le Drian.

"(O acordo) permanece muito frágil", "mas estamos a negociar (...) com relativa confiança", disse Le Drian perante a associação da imprensa diplomática, um dia depois de se terem iniciado as conversações com Teerão. O Irão pretende que os Estados Unidos retirem as sanções, que foram retomadas em 2018, para que se inicie a negociação de um novo acordo nuclear.

Nas últimas semanas e durante a cimeira do G7, que decorreu há uma semana na cidade francesa de Biarritz, o Presidente da França, Emmanuel Mácron, tem tentado convencer o Presidente norte-americano, Donald Trump, a diminuir as sanções contra o Irão. Contudo, Trump considera que o Irão tem de dar sinais inequívocos de respeito pelo acordo nuclear e tem descartado a necessidade de um novo tratado, dizendo que, se Teerão respeitar o atual texto, os Estados Unidos voltarão a assiná-lo.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.