Investigadores estão a criar cartografia de estudos luso-brasileiros em França

A criação de uma cartografia dos estudos luso-brasileiros nas universidades em França foi um dos principais projetos hoje apresentados no II Encontro de Professores de Língua, Literaturas e Culturas Lusófonas em França, na Embaixada do Brasil, em Paris.

O projeto, que está a ser orientado pelo diretor do departamento de estudos portugueses e brasileiros da Universidade Clermont Auvergne, Daniel Rodrigues, pretende criar uma rede 'online' que possa ser consultada "por todos", desde estudantes, a investigadores, professores e empresários.

"É um banco de dados onde você poderá procurar que instituições ensinam português, como ensinam português, se ensinam outras matérias ligadas ao mundo lusófono. Essa é a primeira parte. Depois, qual a equipa, como é formada", explicou à Lusa Daniel Rodrigues.

O docente universitário explicou que "a necessidade de uma cartografia" foi constatada na primeira edição do Encontro de Professores de Língua, Literaturas e Culturas Lusófonas em França, há um ano, quando não se conseguiu um número exato de professores universitários de estudos luso-brasileiros em França.

"Nós não temos uma ideia precisa desse número. Nós pensamos que sejamos em torno de 200, 250 professores no ensino universitário francês a trabalhar de alguma maneira com estudos relacionados com o mundo lusófono", afirmou.

O projeto, que deverá estar pronto "no final de 2018" e ficar disponível no portal online da Cooperação Educacional Franco-Brasileira [educ-br.fr] "no começo de 2019", está a ser apoiado pela Embaixada do Brasil e Daniel Rodrigues gostaria de contar com o apoio de outras embaixadas, incluindo a portuguesa.

Adelaide Cristóvão, Coordenadora do Ensino de Português em França, disse à Lusa que "há imenso interesse" no projeto e que gostaria de ver a cartografia disponível também na página da internet da Coordenação do Ensino.

"Há imenso interesse. Nós somos contactados muitas vezes por alunos, alguns dos alunos que seguem o ensino de português, e é sempre difícil encontrar onde é que eles podem procurar, a continuidade que eles pretendem. É extremamente importante uma cartografia dos cursos, dos perfis de professores para aqueles que estão a estudar e pretendem fazer mestrado", afirmou.

A responsável, que na conferência de abertura fez um resumo sobre "o que faz Portugal para apoiar o ensino do português em França", indicou que o ensino da língua é apoiado pelo Estado português em 15 universidades francesas.

Adelaide Cristóvão explicou que, ao nível do primeiro ciclo até ao ensino secundário, há 25 secções internacionais portuguesas nas escolas francesas e que também há professores contratados pelo Estado português no âmbito dos cursos de ensino de língua viva estrangeira (ELVE) e de ensino internacional de línguas estrangeiras (EILE), ao nível do primeiro ciclo .

A responsável lamentou que o Estado francês abra "pouquíssimas vagas" para docentes de português nos concursos de professores, um problema que "parte muitas vezes dos estabelecimentos de ensino" que se orientam, também pelo que "as famílias pedem" porque "não há muitas a pedir português" a não ser as que são de origem portuguesa.

"Esta nossa tentativa que o português seja encarado como uma língua internacional, seja visto como aquilo que é, que é uma língua internacional, com um peso cultural importante, com um peso económico importante, ainda há passos a dar na própria mentalidade francesa porque, depois, as opções são feitas pelos pais", acrescentou.

O II Encontro de Professores de Língua, Literaturas e Culturas Lusófonas em França vai decorrer ao longo do dia e junta professores e pesquisadores lusófonos que lecionam em universidades públicas francesas.

A 4 de maio, entre 12:00 e 14:00, a Embaixada do Brasil também vai assinalar o Dia da Língua Portuguesa, com a presença de embaixadores dos países da CPLP.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.