Incêndios: Tábua inicia em breve reconstrução de casas totalmente destruídas

Os incêndios de há três meses atingiram mais de centena e meia de casas no concelho de Tábua, destruindo totalmente 111, das quais 58 eram habitações permanentes e cuja reconstrução vai ser iniciada dentro de poucas semanas.

Das 161 casas afetadas pelas chamas, mais de uma centena arderam por completo e, entre estas, 58 eram habitações permanentes e 53 segundas habitações, enquanto das 50 atingidas parcialmente 32 eram primeiras habitações, disse à agência Lusa o vereador da Câmara Municipal de Tábua António Oliveira, adiantando que foram ainda atingidas 22 casas devolutas.

O parque habitacional do concelho sofreu prejuízos da ordem dos três milhões de euros, de acordo com estimativas da Câmara, embora ainda não disponha de todos dados relacionados com segundas habitações, pois continuam por conhecer as regras das respetivas candidaturas a ajudas de que poderão vir a dispor para a reconstrução.

O processo de candidaturas relativo a habitações permanentes está em fase de conclusão e as obras deverão começar dentro de poucas semanas, prevê o vereador, referindo que os imóveis que sofreram danos inferiores a 25 mil euros já foram reparados ou estão em obras, decorrendo já a fase de pagamento dos apoios concedidos para esses trabalhos.

Há, no entanto, algumas situações de imóveis atingidos pelos fogos com os processos menos adiantados por questões legais relacionadas essencialmente com a falta de licenciamento, cuja situação foi agora detetada e para a resolução da qual a Câmara está a prestar ajuda (à semelhança daquilo que tem feito em relação a outros setores, como o agrícola, por exemplo, tendo criado gabinetes de apoio específicos e promovido diversas sessões de esclarecimento, em cooperação com outros serviços, como da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro).

Para além de terem provocado a morte de três pessoas, os incêndios de 15 e 16 de outubro de 2017 afetarem ainda 26 empresas e 173 barracões e anexos, essencialmente agrícolas, destruíram 62 viaturas e máquinas, maioritariamente também do setor agrícola, e provocaram a morte de 981 animais, ainda de acordo com o levantamento entretanto efetuado pelos serviços do município.

A agricultura neste concelho do distrito de Coimbra e empresas diretamente a ela ligadas sofreram danos na ordem de um milhão e meio de euros, tendo já suscitando 170 pedidos de apoio, cujas candidaturas já foram apresentadas, estando o seu pagamento em curso.

Atingido quase em simultâneo pelas chamas que em 15 de outubro deflagraram nos concelhos da Lousã e de Arganil (igualmente no distrito de Coimbra), os incêndios queimaram cerca de 10.300 hectares do município de Tábua, correspondentes a 53% da área total do município.

Um dos maiores problemas, neste momento, relaciona-se com o escoamento da madeira queimada, salienta à agência Lusa Vasco Campos, presidente da Caule/ Associação Florestal da Beira Serra, com sede em Tábua e que reúne produtores florestais dos municípios de Arganil, Penacova e Oliveira do Hospital, no distrito de Coimbra, e de Santa Comba Dão e de Seia (distritos de Viseu e Guarda, respetivamente), além de Tábua.

As chamas devastaram naqueles concelho 60 mil hectares de território, cerca de dois terços dos quais florestados, essencialmente por pinheiro e eucalipto e, em muito menor escala, medronho, além de algumas outras espécies, mas estas praticamente sem significado.

"Não há onde entregar a madeira" queimada. A oferta aumentou substancialmente (por causa dos incêndios), sendo muitas as fábricas que já esgotaram a sua capacidade de armazenamento, e a procura diminuiu (diversas unidades fabris do setor foram total ou parcialmente destruídas pelos fogos), refere Vasco Campos, sublinhando que, mesmo tendo sofrido uma quebra de preço da ordem dos 30%, as receitas da venda desta madeira são essenciais para a sobrevivência de muitos produtores florestais.

Os parques de receção dessa madeira são fundamentais, sustenta o presidente da Caule, adiantando que as candidaturas para a criação destes postos de recolha deverão ser abertas durante esta semana, devendo a começar a receber madeira dentro de um mês, o que contribuirá -- acredita -- para travar o processo de degradação da madeira e para promover a estabilização dos preços.

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