Incêndios: PAN quer explicações sobre demora em comando nacional assumir combate

O deputado do PAN, André Silva, questionou hoje o Governo sobre o combate ao incêndio de Monchique, exigindo saber a justificação para que só tenha sido assumido pelo comando nacional na terça-feira.

André Silva dirigiu uma pergunta formal ao Ministério da Administração Interna sobre "alegadas irregularidades" nas operações de combate ao incêndio, questionando igualmente "por que razão estiveram inativas corporações de bombeiros por cinco horas com o incêndio a avançar no terreno".

O PAN (Pessoas-Animais-Natureza) refere-se a uma notícia da estação de televisão SIC, segundo a qual "vários carros de corporações de bombeiros estiveram estacionados cinco horas numa zona de Monchique já ardida, enquanto o incêndio continuava a avançar no terreno, esperando ordens para avançar por parte Autoridade Nacional da Proteção Civil".

"Após este período de espera houve a troca do comando distrital para o comando nacional, pelo ministro da Administração Interna. Contudo, segundo as novas regras do sistema de gestão de operações, alteradas em abril de 2017 após o incêndio de Pedrógão Grande, o comando nacional da ANPC deveria ter assumido a liderança na madrugada de sábado dia 03 de agosto e não na terça-feira dia 07", expõe o deputado.

André Silva sustenta que, com o número de operacionais mobilizados a ultrapassar os 648 "deveria ter sido acionada a fase V das operações, que implica que as operações passem a ser lideradas por um comandante de agrupamento ou pelo comando nacional da ANPC".

O incêndio rural, combatido por mais de mil operacionais e considerado dominado hoje de manhã, deflagrou no dia 03 à tarde em Monchique, no distrito de Faro, e atingiu também o concelho vizinho de Silves, depois de ter afetado, com menor impacto, os municípios de Portimão (no mesmo distrito) e de Odemira (distrito de Beja).

A Proteção Civil atualizou o número de feridos para 41, um dos quais em estado grave (uma idosa que se mantém internada em Lisboa).

De acordo com o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais, as chamas já consumiram cerca de 27 mil hectares. Em 2003, um grande incêndio destruiu cerca de 41 mil hectares nos concelhos de Monchique, Portimão, Aljezur e Lagos.

Na terça-feira, ao quinto dia de incêndio, as operações passaram a ter coordenação nacional, na dependência direta do comandante nacional da Proteção Civil, depois de terem estado sob a gestão do comando distrital.

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