Incêndios: Comunidade portuguesa na Dinamarca promove vigília pelas vítimas

A comunidade portuguesa na Dinamarca vai promover no sábado uma vigília solidária em frente à embaixada lusa de Copenhaga, no âmbito da iniciativa "Portugal Contra os Incêndios", confirmaram à agência Lusa os dinamizadores desta ação.

Daniel Carvalho, investigador português na Universidade de Aarhus, contou à Lusa que "a iniciativa procura juntar as vozes silenciosas da revolta às imagens de terror dos incêndios em Portugal e, sobretudo, das vítimas que os mesmos provocaram".

"Sou português, tenho orgulho do meu país, agora menos bonito e manchado pela morte de inocentes, e não podia ficar de braços cruzados. Fiz uma busca no Facebook e, percebendo que estava a ser preparada uma vigília em Portugal, pensei numa extensão para as comunidades fora do país a partir do grupo de portugueses a viver na Dinamarca. A recetividade foi muito boa, falei com a Cristina (Amaro), administradora desse grupo, criei o evento no 'face[book]' e, depois, foi partilhar a ideia", contou Daniel Carvalho.

O investigador de Paredes, de 23 anos, reitera que "a ideia é apenas manifestar, de forma pacífica, esta revolta pelo que aconteceu e não podia ter acontecido".

"Não tem nada a ver com política, é totalmente apartidária, e será uma das várias imagens desta espécie de revolta silenciosa. Queremos prestar homenagem às vítimas e seus familiares, esperando que esta corrente, que já chegou às comunidades portuguesas no estrangeiro, possa de alguma maneira ajudar a que sejam tomadas medidas que impeçam a repetição destas tragédias", sublinhou.

Daniel Carvalho encontrou entusiasmo em Cristina Amaro, administradora da página de portugueses em Copenhaga e na Dinamarca (www.portuguesesnadinamarca.com), onde reside desde 2006, e os dois têm vindo a trabalhar na logística e preparação do evento.

A embaixada portuguesa foi informada e a polícia local avisada da iniciativa.

"O Daniel (Carvalho) contactou-me há dois dias e achei a ideia fantástica, pois, quando estamos longe, sentimos ainda mais as coisas. Ele criou o evento, que começámos por partilhar num grupo de portugueses em Copenhaga. Cada um foi passando a palavra pelos seus contactos e está a correr muito bem. Conseguimos inclusive 'contagiar' outras cidades europeias, tendo conhecimento de que também Paris, Bruxelas, Londres e Berlim, pelo menos, se vão associar", disse Cristina Amaro.

A antiga presidente da Associação de Portugueses na Dinamarca é cautelosa a falar de números, até "porque os portugueses, por vezes, são um bocadinho imprevisíveis", mas adianta que "cerca de 300 em Copenhaga já confirmaram e mais virão com o Daniel desde Aarhus", a cerca de quatro horas de distância da capital nórdica.

"O texto que começámos por partilhar foi em português, mas estamos a pensar traduzi-lo, porque há muitos dinamarqueses apaixonados por Portugal, alguns deles até falam português, além de que são um povo extremamente solidário. Também já temos garantida a presença dos nossos 'irmãos' galegos, da Casa de Cultura Galega de Copenhaga", acrescentou Cristina Amaro.

A vigília vai realizar-se em frente à Embaixada de Portugal em Copenhaga, a partir das 17:00 (horas locais), menos uma em Portugal, coincidindo com as ações previstas, nomeadamente em Portugal, e inspiradas no 'movimento' "Portugal Contra os Incêndios".

"Tínhamos pensado em pedir aos participantes o uso de camisolas brancas, mas abandonámos a ideia por causa das temperaturas baixas que se fazem sentir na Dinamarca. Mantemos as bandeiras de Portugal e de Espanha e as velas, a que juntaremos, provavelmente, flores, como forma de homenagem às vítimas", concluiu Cristina Amaro.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano, segundo as autoridades, provocaram 42 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves.

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

O Governo decretou três dias de luto nacional, entre terça-feira e hoje.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, em junho, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 vítimas mortais e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

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