Ilustradora Danuta encerra programa deste ano de "Escritores no Palácio" de Belém

A ilustradora Danuta Wojciechowska, uma das mais premiadas na literatura portuguesa para crianças, autora de "Um, dois, três, conta lá outra vez", encerra hoje o programa "Escritores no Palácio" de Belém, iniciativa do Presidente da República.

Danuta nasceu no Canadá, vive em Portugal e soma anos de colaborações com autores como Luísa Ducla Soares, Álvaro Magalhães, António Mota, Ondjaki, Alice Vieira e Mia Couto, entre muitos outros.

Recebeu o Prémio Nacional de Ilustração em 2003, o prémio para o melhor livro ilustrado do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora e foi selecionada várias vezes para a Exposição Internacional de Ilustradores da Feira de Bolonha, de literatura infantil.

O programa "Escritores no Palácio", lançado por Marcelo Rebelo de Sousa em 2017 tem por objetivo "proporcionar o encontro entre escritores de obras recomendadas pelo Plano Nacional de Leitura e alunos dos vários níveis de escolaridade", segundo a Presidência da República.

Este ano, o programa reuniu 21 escritores. Lídia Jorge, que recentemente publicou o romance "Estuário", abriu este ciclo, a 16 de janeiro último, tendo passado pela Sala das Quatro Estações, do palácio presidencial, autores como António Lobo Antunes, José Eduardo Agualusa, Gonçalo M. Tavares e André Letria.

O Chefe de Estado esteve presente em algumas sessões, designadamente na de Lobo Antunes, a 06 de fevereiro, que qualificou de "génio", e apontou como "um Nobel sem precisar do Prémio Nobel [da Literatura]".

O elenco incluiu ainda nomes como os de Margarida Fonseca Santos, Mário Cláudio, Pepetela, Mia Couto, David Machado, Ana Saldanha e Pedro Mexia.

Houve sessões lideradas por dois autores, como as das escritoras Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães, criadoras da série "Uma Aventura", e as de Cristina Quental e Mariana Magalhães, dos livros infantis "Ciclo...".

Segundo a Presidência da República, este ano, a iniciativa contou com a participação de dezanove estabelecimentos de ensino de todo o país, públicos e privados, entre os mais de 200 escritos.

Com este projeto, o "Presidente da República sublinha a importância das políticas de promoção da leitura, enquanto contributo fundamental para o estabelecimento da igualdade de oportunidades no sistema educativo".

Danuta Wojciechowska, a autora que encerra a edição deste ano, nasceu no Quebeque, no Canadá, em 1960, é licenciada em Design de Comunicação, pela Universidade de Zurique e efetuou uma pós-graduação em Educação pela Arte em Inglaterra. Em 1992, fundou o atelier Lupa Design, onde se dedica ao design, à ilustração e à cenografia.

Da sua bibliografia fazem parte dezenas de títulos, entre os quais "O Limpa-Palavras e Outros Poemas", com Álvaro Magalhães, que recebeu a Menção Especial Prémio Nacional de Ilustração, em 2000, e foi finalista do Prémio Hans Christian Andersen, em 2001, "O Sonho de Mariana", com António Mota, Prémio Nacional de Ilustração e Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças, entre outras distinções.

"O Gato de Uppsala", com Cristina Carvalho, e a série de livros infantojuvenis "A Escolha é Minha", com Margarida Fonseca Santos, "O Gato e o Escuro", com Mia Couto, que recebeu uma Menção Especial no Prémio Nacional de Ilustração, em 2001, são alguns dos livros que Danuta ilustrou, assim como "Os Ciganos", um texto inacabado de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), para o qual o neto Pedro Sousa Tavares encontrou um remate final.

Ler mais

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.