Homicídio de autarca é "um sinal de alerta" para toda a Alemanha avisa Governo alemão

Berlim, 18 jun 2019 (Lusa) -- O recente homicídio de um autarca conservador alemão, cujo principal suspeito é um simpatizante da extrema-direita, é um "sinal de alerta" para toda a Alemanha, advertiu hoje o ministro do Interior alemão.

"Um ataque da extrema-direita contra um representante de alto nível do nosso país constitui um sinal de alerta e visa a todos nós", declarou Hors Seehofer, numa conferência de imprensa.

Este ato "visa o nosso Estado e o nosso sistema democrático" e marca "uma nova dimensão" dos atos cometidos por membros da extrema-direita no país, prosseguiu o ministro alemão.

"O extremismo de direita é um perigo crescente e deve ser encarado seriamente pela nossa sociedade", reforçou.

Walter Lübcke, membro da União Democrata-Cristã (CDU, partido da chanceler alemã Angela Merkel), 65 anos, foi encontrado morto, com um tiro na cabeça, na sua casa nos arredores de Kassel, no Estado de Hesse (centro da Alemanha), a 02 de junho.

Lübcke liderava a autarquia de Kassel e manifestou várias vezes o seu apoio à política de acolhimento de refugiados conduzida pelo Governo de Merkel entre 2015 e 2016.

Na altura, o autarca suscitou a fúria dos movimentos de extrema-direita alemães e foi alvo de ameaças.

No fim de semana passado, as autoridades detiveram um suspeito em Kassel, um homem de 45 anos que se recusou a responder às questões da polícia.

O suspeito foi identificado através de vestígios de ADN nas roupas da vítima.

Na segunda-feira, a Procuradoria-Geral Federal da Alemanha confirmou que o suspeito do homicídio era um simpatizante da extrema-direita que já tinha sido condenado, em 1993, por uma tentativa de ataque contra um centro de acolhimento de migrantes no Estado de Hesse.

Os 'media' alemães também noticiaram que o suspeito, identificado apenas como Stephan E., terá igualmente participado num ataque a uma manifestação de sindicalistas, em 2009 em Dortmund (oeste).

O ministro do Interior alemão indicou que a atividade do suspeito nos circuitos da extrema-direita não era identificada desde 2009, referindo que o homem tinha desaparecido, desde então, dos radares da polícia.

Perante tais circunstâncias, a justiça alemã vai continuar a investigar "em todas as direções".

"Ainda não sabemos se agiu sozinho ou se fazia parte de uma rede", concluiu Hors Seehofer.

Exclusivos