Homenagem ao antigo bispo do Porto António Ferreira Gomes e à "Carta a Salazar"

A Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto (AJHLP) vai homenagear na sexta-feira o antigo bispo António Ferreira Gomes, forçado a dez anos de exílio depois de enviar uma carta a Oliveira Salazar.

O presidente da AJHLP, Francisco Duarte Mangas, disse, em entrevista telefónica à Lusa, que a homenagem ao antigo bispo do Porto serve para assinalar e relembrar a "Carta a Salazar", que António Ferreira Gomes enviou em 13 de julho de 1958 criticando o regime.

Francisco Duarte Mangas afirmou que a "Carta a Salazar" foi um documento "importantíssimo" contra o regime salazarista e revela também um "setor mais progressivo da Igreja na resistência ao Estado Novo" que foi "fundamental para fazer o 25 de abril", acrescentando que a missiva fez "estremecer a ditadura".

Segundo o presidente da AJHLP, terá havido uma fuga de informação sobre a missiva que o bispo do Porto enviou a Salazar e o texto que era confidencial terá começado a circular, tornando-se público e ficando conhecido como a "Carta a Salazar".

"Temos de ser francos, talvez brutais: o corporativismo português, como outros já passados, foi realmente um meio de espoliar os operários do direito natural de associação, de que o liberalismo, em 91, os privara, e que tinham reconquistado penosa e sangrentamente. E a isto se chama corporativismo; e com isto se quer comprometer e, na verdade, se comprometeu, inútil, mas terrivelmente, a Santa Igreja. Isto é, pois, um problema de Igreja", escreveu na altura o bispo Ferreira Gomes.

Como resposta à carta, Salazar forçou António Ferreira Gomes ao exílio durante uma década. O regresso a Portugal só aconteceu na chamada "primavera marcelista", mantendo-se sempre 'persona pouco grata' e "alvo da censura, que rasurava as suas palavras e o seu nome na imprensa", lê-se num comunicado divulgado hoje pela AJHLP.

Na cerimónia de homenagem ao bispo António Ferreira Gomes vai participar o atual bispo do Porto, Manuel Linda, bem como Anselmo Borges e Arnaldo Pinho, ambos professores e especialistas na obra de António Ferreira Gomes.

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