Homem que enviou pacotes armadilhados a democratas incorre em prisão perpétua

Um apoiante de Donald Trump confessou na quinta-feira que enviou 16 pacotes armadilhados a personalidades democratas ou opositoras do presidente norte-americano, durante a campanha eleitoral em outubro último, o que lhe pode valer uma condenação a prisão perpétua.

Nenhum dos embrulhos explodiu, nem sequer atingiu o seu destinatário.

Mas ao visar especificamente personalidades democratas, a dez dias das eleições de meio do mandato presidencial, em 06 de novembro, Cesar Sayoc, também Cesar Altieri, identificado pelas suas impressões digitais e o seu ADN nos pacotes, contribuiu para alimentar a tensão no clima política norte-americano.

Entre os destinatários dos pacotes estavam o ex-presidente Barack Obama e o ex-vice-presidente Joe Biden, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, o ator Robert de Niro, o milionário e filantropo George Soros, e congressistas como Cory Booker e Kamala Harris.

Este homem de 57 anos, que vivia numa camioneta coberta de autocolantes de apoio a Trump, tinha sido detido em 26 de outubro, no termo de uma vasta caça ao homem.

"Enviei 16 pacotes por correio", confessou no tribunal, na quinta-feira.

Objeto de 65 acusações, os procuradores federais de Manhattan não foram meigos com Cesar Sayoc.

E mesmo ao aceitar declarar-se culpado, o acusado não obteve quaisquer garantias de uma pena mais clemente. O juiz Jed Rakoff já disse que não teria problemas em sentenciá-lo a prisão perpétua, quando for lida a sentença em 12 de setembro.

Enquanto aguarda o seu destino, têm emergido informações sobre o seu passado.

Antigo culturista, ex-proprietário de um bar de 'strip-tease', em rutura com a família e na falência financeira, Cesar Sayoc, com cadastro já longo, descobriu em 2016 uma paixão por Trump.

As suas contribuições nas redes sociais radicalizaram-se então: exibia-se com o chapéu de campanha de Trump, com o slogan 'Make America Great Again', partilhava informações e imagens pró-Trump e divulgava artigos de sítio ultraconservadores e com teorias de conspiração.

"Ele estava muito zangado com o mundo, os negros, os judeus, os homossexuais", recordava, depois da sua detenção, Debra Gureghian, a gestora de uma 'pizzaria' na Florida, onde Sayoc trabalhou durante alguns meses.

Estas informações, acrescentadas às que foram conhecidas sobre Robert Bowers, o autor do massacre na sinagoga de Pittsburgh que abateu 11 pessoas, em 27 de outubro de 2018, alimentaram o debate sobre a subida do extremismo, a responsabilidade das redes sociais e o papel de Donald Trump na exacerbação das tensões.

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