Governo quer estratégia e plano de ação para recuperar produção de cereais - ministro

O ministro da Agricultura anunciou hoje, em Santarém, a criação de um grupo de trabalho para delinear "uma estratégia e um plano de ação para a recuperação da produção de cereais em Portugal".

Luís Capoulas Santos falava aos jornalistas no final de uma visita que marcou a inauguração da 54.ª Feira Nacional da Agricultura/64.ª Feira do Ribatejo, que decorre até dia 18 no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), em Santarém, com os cereais como tema dominante.

Declarando-se "satisfeito" com a escolha de um setor que o Governo quer "agarrar e recuperar", o ministro afirmou haver "um conjunto de constrangimentos naturais, que é necessário ultrapassar", pois o país tem "condições para trabalhar para nichos de mercado de qualidade, de forma muito interessante".

Capoulas Santos afirmou que assinou já o despacho para criação do grupo de trabalho, no qual participará pessoalmente juntamente com representantes do seu Ministério e das principais organizações do setor, como a Associação Nacional de Produtores de Cereais (ANPOC) e a Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo (Anpromis), e que será constituído dez dias depois da publicação em Diário da República.

Esse grupo terá um prazo de três meses para apresentação de um primeiro documento de trabalho, que entrará em execução depois de ser aprovado em Conselho de Ministros, adiantou.

Capoulas Santos lembrou que a maior parte da área agrícola nacional, em particular nas zonas tradicionais de produção de cereais, elemento básico da alimentação dos portugueses, é de sequeiro, sendo necessário "encontrar alternativas rentáveis".

O objetivo, disse, é elaborar uma "estratégia nacional para a recuperação da produção de cereais em Portugal e um plano de ação associado".

"Não é apenas definir linhas orientadoras e diretrizes gerais, é vê-las em medidas concretas, calendarizadas e quantificadas", frisou.

Capoulas Santos, que visitou demoradamente a Feira Nacional da Agricultura -- certame que este ano recebe os visitantes com uma mostra de campos de cultura de cereais instalada no largo de acesso à entrada principal do recinto -, declarou-se "muitíssimo otimista" depois da troca de impressões com os expositores, em particular os de máquinas e equipamentos.

"O ambiente que hoje se vive nada tem a ver com o que se vivia há um ano. No ano passado fui confrontado com uma série de queixas, com um clima de desmoralização, e agora, pelo contrário, as empresas estão a vender mais, a exportar mais, e existe um clima de confiança em que acreditam no futuro".

O ministro mostrou-se agradado com o "aspeto, a dimensão e a qualidade" da feira, considerando que isso "reflete um pouco o que se passa com o setor em Portugal", pois "está a crescer, a bater recordes de exportação".

Esperando mais de 200.000 visitantes e 40.000 profissionais ao longo dos nove dias do certame, a organização da FNA apostou na melhoria das condições de acolhimento, disponibilizando um novo parque de estacionamento para mais 1.200 viaturas e mais zonas de sombreamento.

As "Conversas de Agricultura", com mais de 30 seminários e iniciativas para profissionais, trarão a Santarém especialistas nacionais e estrangeiros e vários responsáveis políticos, portugueses e europeus.

Concursos e provas nacionais de várias raças de animais e a presença dos produtos vencedores dos concursos nacionais promovidos pelo CNEMA -- pão, broas, empadas, gelados, folares, doçaria conventual e tradicional, enchidos, licores, carnes, ervas aromáticas, azeitonas, azeites, vinagres, mel, vinhos -, são elementos de atração, pois "permitem o contacto direto do consumidor com o que de melhor se faz no setor".

Produtos de "grande qualidade" são dados a degustar no Salão Prazer de Provar e nas "provas na cozinha", estendendo-se a oferta do que de melhor se produz em Portugal ao espaço onde se concentram os restaurantes de carnes autóctones e as tasquinhas de associações e coletividades da região.

O cartaz de espetáculos abre hoje à noite com a atuação de Richie Campbell, estando marcados concertos de David Antunes, Ana Moura e Ana Carolina.