Governo quer criar centros académicos clínicos

Objetivo é de nos próximos 10 a 12 anos ter centros que se comparem com os melhores, pelo menos, na Europa

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, quer que Portugal se compare aos melhores do mundo para que, no espaço de 12 anos, desenvolva centros académicos clínicos que sejam, pelo menos, de referência europeia.

Numa intervenção no final dos "Encontros com a Inovação em Saúde", promovido no Porto pelo Health Cluster Portugal e este ano dedicado ao tema "Novas Agendas de Investigação e Inovação para a Saúde do Futuro", o ministro defendeu que o país deve ousar estar sempre entre os melhores.

Sugerindo uma "constante comparação internacional com o que de melhor se faz na Europa e no mundo ao nível da investigação clínica", Manuel Heitor afirmou que "apesar das diferenças nos temas nacionais de saúde" a comparação só pode ser "com os melhores", para que "nos próximos 10 ou 12 anos" se possam "desenvolver em Portugal centros académicos clínicos que sejam, pelo menos, de referência europeia".

Para o ministro, entre os "muitos desafios" que o país enfrentará na próxima década está conseguir "perceber os desafios e as oportunidades inéditas associadas à atividade de investigação clínica, que, entre muitas outras coisas, só será feita ser for perfeitamente endogeneizada dentro das unidades de cuidados de saúde e dos hospitais".

"A investigação clínica não se faz sem médicos e, por isso, para discutir as agendas de investigação clínica para o futuro temos de ter aqueles que diariamente dialogam e tratam os doentes", disse o governante, defendendo a formação destes "com a capacidade de poderem perceber e dialogar com o novo conhecimento".

Manuel Heitor defendeu ainda que, quer sejam públicas ou privadas, Portugal não pode continuar a ter "unidades de cuidados de saúde, e em particular hospitais, com intensidades de investimento em investigação tão baixos".

"Precisamos de centros académicos clínicos onde, a partir de recursos humanos, a partir de recursos financeiros a cultura institucional evolua para que possamos aspirar a ser uma referência na área da investigação clínica e médica", acrescentou.

Como exemplo desse "esforço de investimento" citou a "estreita articulação com o Health Cluster Portugal" e a "colaboração com a Apifarma" para poder ser criada "uma agência de financiamento especializado para a investigação clínica em Portugal que junte fundos públicos, nomeadamente da Fundação para a Ciência e Tecnologia, e a Apifarma".

"Espero que sejamos capazes de o fazer. Isso exige um esforço coletivo único de muitos dos que estão aqui para não ter apenas uma estrutura que financie e avalie, mas em que o esforço da investigação clínica possa depois ser transmitido para o Sistema Nacional de Saúde", justificou.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Crespo

Orçamento melhoral: não faz bem, mas também não faz mal

A menos de um ano das eleições, a principal prioridade política do Governo na elaboração do Orçamento do Estado do próximo ano parece ter sido não cometer erros. Esperar pelos da oposição. E, sobretudo, não irritar ninguém. As boas notícias foram quase todas libertadas nas semanas que antecederam a apresentação do documento. As más - que também as há - ou dizem pouco à esmagadora maioria da população, ou são direcionadas a nichos da sociedade que não decidem eleições.

Premium

Ricardo Paes Mamede

Tudo o que a troika não fez por nós

A crítica ao "programa de ajustamento" acordado com a troika em 2011 e implementado com convicção pelo governo português até 2014 já há muito deixou de ser monopólio das mentes mais heterodoxas. Em diferentes ocasiões, as próprias instituições em causa - FMI, Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia - assumiram de forma mais ou menos explícita alguns dos erros cometidos e as consequências que deles resultaram para a economia e a sociedade portuguesas. O relatório agora publicado pela Organização Internacional do Trabalho ("Trabalho Digno em Portugal 2008-2018: da Crise à Recuperação") veio questionar os mitos que ainda restam sobre a bondade do que se fez neste país num dos períodos mais negros da sua história democrática.

Premium

João Gobern

Simone e outros ciclones

O mais fácil é fazer coincidir com o avanço da idade o crescimento da necessidade - também um enorme prazer, em caso de dúvida - de conversar e, mais especificamente, do desejo de ouvir quem merece. De outra forma, tornar-se-ia estranho e incoerente estar às portas de uma década consecutiva em programas de rádio (dois, sempre com parceiros que acrescentam) que se interessam por escutar histórias e fazer eco de ideias e que fazem "gala" de dar espaço e tempo a quem se desafia para vir falar. Não valorizo demasiado a idade, porque mantenho intacta a certeza de que se aprende muito com os mais novos, e não apenas com aqueles que cronologicamente nos antecederam. Há, no entanto, uma diferença substancial, quando se escuta - e tenta estimular-se aqueles que, por vias distintas, passaram pelo "olho do furacão". Viveram mais (com o devido respeito, "vivenciaram" fica para os que têm pressa de estar na moda...), experimentaram mais, enfrentaram batalhas e circunstâncias que, de alguma forma, nos podem ser úteis muito além da teoria. Acredito piamente que há pessoas, sem distinção de sexo, raça, religião ou aptidões socioprofissionais, que nos valem como memória viva, num momento em que esta parece cada vez mais ausente do nosso quotidiano, demasiado temperado pelo imediato, pelo efémero, pelo trivial.

Premium

Henrique Burnay

Isabel Moreira ou Churchill

Numa das muitas histórias que lhe são atribuídas, sem serem necessariamente verdadeiras, em resposta a um jovem deputado que, apontando para a bancada dos Trabalhistas, perguntou se era ali que se sentavam os seus inimigos, Churchill teria dito que não: "Ali sentam-se os nossos adversários, os nossos inimigos sentam-se aqui (do mesmo lado)." Verdadeira ou não, a história tem uma piada e duas lições. Depois de ler o que publicou no Expresso na semana passada, é evidente que a deputada Isabel Moreira não se teria rido de uma, nem percebido as outras duas.