Futebol: I Liga / Rio Ave -- Tondela (declarações)

Declarações dos treinadores do Rio Ave e do Tondela, Miguel Cardoso e Pepa, respetivamente, no final da partida 30.ª jornada da I Liga portuguesa de futebol, que terminou empatada 1-1:

Miguel Cardoso (treinador do Rio Ave): "A equipa quis ganhar, tínhamos consciência da importância do jogo, sabíamos o que tínhamos de fazer, fomos bastante fiéis ao nosso plano, e na primeira parte dominámos o jogo.

Mas, com o passar do tempo, não fomos tão capazes de fazer o que sabemos, perdemos a capacidade de circular a bola e reduzir as perdas. Não fomos capazes de ganhar o jogo, porque abandonámos o nosso plano.

Ao intervalo, disse aos jogadores que tínhamos de manter o foco, o jogo estava como planeámos, mas não tivemos esse discernimento e acabámos por nos expor nas tentativas do Tondela chegar à nossa baliza.

(sobre a saída de Guedes aos 40 minutos) Foi uma decisão minha e vou guardar para mim os motivos. Aqui não é o momento nem o espaço para falar sobre isso. Nos locais próprios e com as pessoas falaremos sobre o assunto.

Seria redutor achar que a substituição de um só jogador tenha impacto na equipa. Quando preparamos um jogo não é só com 11 jogadores, mas como todo o plantel

(sobre os assobios dos adeptos) Tenho um grande respeito pelos adeptos do Rio Ave. Mas as pessoas às vezes não são conhecedoras de todos os detalhes, não posso censurar os adeptos quando não sabem os motivos. Tal como o público, também o treinador quer ganhar."

Pepa (treinador do Tondela): "Na primeira parte estivemos irreconhecíveis, respeitámos em demasia o Rio Ave. Demos espaços, fomos pouco agressivos e o melhor que nos podia ter acontecido foi estarmos a perder por 1-0.

Na segunda parte, entraram os mesmos jogadores, mas a equipa melhorou. Fizemos um segundo tempo extraordinário. E digo que o Rio Ave foi a equipa que mais dificuldades nos criou, é muito forte e tem uma grande dinâmica, e acho que fizemos neste estádio o que poucas equipas neste campeonato conseguiram fazer.

O resultado podia ter caído para qualquer lado, mas as melhores oportunidades até foram nossas.

Acrescentámos um ponto, atingimos a marca da época passada (32 pontos), quando ainda faltam quatro jornadas.

Mais do que a conquista do ponto, estou satisfeito pela exibição e pela resposta da equipa e pela imagem que deixámos na segunda parte."

Ler mais

Premium

Anselmo Crespo

Orçamento melhoral: não faz bem, mas também não faz mal

A menos de um ano das eleições, a principal prioridade política do Governo na elaboração do Orçamento do Estado do próximo ano parece ter sido não cometer erros. Esperar pelos da oposição. E, sobretudo, não irritar ninguém. As boas notícias foram quase todas libertadas nas semanas que antecederam a apresentação do documento. As más - que também as há - ou dizem pouco à esmagadora maioria da população, ou são direcionadas a nichos da sociedade que não decidem eleições.

Premium

Ricardo Paes Mamede

Tudo o que a troika não fez por nós

A crítica ao "programa de ajustamento" acordado com a troika em 2011 e implementado com convicção pelo governo português até 2014 já há muito deixou de ser monopólio das mentes mais heterodoxas. Em diferentes ocasiões, as próprias instituições em causa - FMI, Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia - assumiram de forma mais ou menos explícita alguns dos erros cometidos e as consequências que deles resultaram para a economia e a sociedade portuguesas. O relatório agora publicado pela Organização Internacional do Trabalho ("Trabalho Digno em Portugal 2008-2018: da Crise à Recuperação") veio questionar os mitos que ainda restam sobre a bondade do que se fez neste país num dos períodos mais negros da sua história democrática.

Premium

João Gobern

Simone e outros ciclones

O mais fácil é fazer coincidir com o avanço da idade o crescimento da necessidade - também um enorme prazer, em caso de dúvida - de conversar e, mais especificamente, do desejo de ouvir quem merece. De outra forma, tornar-se-ia estranho e incoerente estar às portas de uma década consecutiva em programas de rádio (dois, sempre com parceiros que acrescentam) que se interessam por escutar histórias e fazer eco de ideias e que fazem "gala" de dar espaço e tempo a quem se desafia para vir falar. Não valorizo demasiado a idade, porque mantenho intacta a certeza de que se aprende muito com os mais novos, e não apenas com aqueles que cronologicamente nos antecederam. Há, no entanto, uma diferença substancial, quando se escuta - e tenta estimular-se aqueles que, por vias distintas, passaram pelo "olho do furacão". Viveram mais (com o devido respeito, "vivenciaram" fica para os que têm pressa de estar na moda...), experimentaram mais, enfrentaram batalhas e circunstâncias que, de alguma forma, nos podem ser úteis muito além da teoria. Acredito piamente que há pessoas, sem distinção de sexo, raça, religião ou aptidões socioprofissionais, que nos valem como memória viva, num momento em que esta parece cada vez mais ausente do nosso quotidiano, demasiado temperado pelo imediato, pelo efémero, pelo trivial.

Premium

Henrique Burnay

Isabel Moreira ou Churchill

Numa das muitas histórias que lhe são atribuídas, sem serem necessariamente verdadeiras, em resposta a um jovem deputado que, apontando para a bancada dos Trabalhistas, perguntou se era ali que se sentavam os seus inimigos, Churchill teria dito que não: "Ali sentam-se os nossos adversários, os nossos inimigos sentam-se aqui (do mesmo lado)." Verdadeira ou não, a história tem uma piada e duas lições. Depois de ler o que publicou no Expresso na semana passada, é evidente que a deputada Isabel Moreira não se teria rido de uma, nem percebido as outras duas.