Furtos em reservatórios deixam serra do Montejunto sem combate aéreo de incêndios

A serra do Montejunto, devastada pelos incêndios em 2003, está sem apoio de meios aéreos no combate a fogos até serem reparados os dois reservatórios de água alvo de furtos, estando o investimento em curso pela Câmara do Cadaval.

"Todo o dispositivo está preparado, mas estamos sem a intervenção musculada dos meios aéreos para o ataque inicial à progressão do incêndio", disse à agência Lusa o coordenador do Serviço Municipal de Proteção Civil do Cadaval, Ricardo Coelho.

O combate a incêndios com viaturas é mais difícil pela altitude e pelo tipo de solos da serra, enquanto os "meios aéreos não estão sujeitos a essas barreiras físicas e demoram muito menos tempo a chegar a sítios que as viaturas não conseguem aceder ou demoram a chegar", explicou.

Os dois reservatórios de água foram alvo de furtos.

"Apercebemo-nos que um deles, que em maio já tinha sido vandalizado, está sem o saco [responsável pela retenção da água] e no outro a estrutura metálica está desaparafusada, o que indicia que estava a ser preparado para furtarem também o saco", especificou o responsável.

A câmara municipal apresentou queixa na GNR, que está já a investigar o furto.

Ricardo Coelho adiantou que o município autorizou "de imediato" a reparação dos dois reservatórios, estimada em quatro mil euros, que só não foi ainda concretizada por estar a aguardar que chegue o material encomendado ao fornecedor.

O coordenador da Proteção Civil Municipal explicou que um deles está a 50% da sua capacidade e o outro a 20%.

Depois da reparação, a câmara tem de atestar os dois reservatórios com 240 mil litros de água, estando dependente do transporte da água pelos bombeiros locais e de corporações vizinhas.

Os dois reservatórios foram instalados pela câmara municipal em 2011, um investimento de 26 mil euros.

A serra do Montejunto é o ponto mais alto da região Oeste, elevando-se a 666 metros de altitude, e possui uma área de 4.500 hectares, onde nidificam 70 espécies das 400 existentes. Quarenta e um por cento da área é floresta.

Em 1999, tornou-se Área de Paisagem Protegida.

De dez em dez anos, tem sido devastada por grandes incêndios, o último dos quais em 2003, quando foram destruídos 2.500 hectares, quase metade do território da serra.

A serra situa-se nos territórios dos concelhos de Alenquer e Cadaval, no distrito de Lisboa.

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