França apela à suspensão da execução de 75 pessoas no Egito

A França apelou hoje ao Egito para suspender a execução de 75 pessoas, incluindo dirigentes da Irmandade Muçulmana, após a confirmação, no sábado, da sua condenação à morte por um tribunal de apelo.

"Apelamos às autoridades egípcias que suspendam a execução destas condenações", declarou Agnès von der Mühll, a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros francês, sem se pronunciar sobre as condições em que decorreu o processo.

Um tribunal do Cairo confirmou no sábado a condenação à morte de 75 pessoas, incluindo dirigentes da Irmandade Muçulmana, num dos maiores processos coletivos desde a revolta que abalou o Egito em 2011, no decurso da "Primavera árabe".

"A França reitera a sua oposição permanente à pena de morte, em todos os locais e circunstâncias, e o seu compromisso pela abolição universal deste castigo injusto, inumano e ineficaz", recordou a porta-voz.

Neste contexto, "mantemos um diálogo constante com o Egito sobre a pena de morte, com quem evocamos este assunto cada vez que temos oportunidade, incluindo a alto nível", prosseguiu.

O Egito é um aliado da França na região, incluindo na questão da Líbia. O ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Yves Le Drian, desloca-se com frequência ao país árabe do norte de África e mantém sempre encontros com o presidente Abdel Fatah al-Sisi.

As organizações de defesa dos direitos humanos criticaram o Presidente francês Emmanuel Macron por ter recusado "dar lições" ao Egito nesta questão durante a vista de Al-Sisi a Paris em outubro de 2017.

A recém-designada Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a ex-Presidente chilena Michelle Bachelet, apelou domingo à revisão de um veredicto "injusto", suscitando uma reação negativa do Cairo.

"O facto de os acusados terem visto os seus direitos fundamentais ignorados de forma flagrante coloca sérias dúvidas sobre a culpabilidade de todos os condenados", declarou.

No total, 739 pessoas foram julgadas no sábado, acusadas na maioria de terem morto polícias ou vandalizado bens públicos em agosto de 2013 durante a repressão sangrenta de protestos contra a demissão compulsiva do então presidente eleito, Mohamed Morsi.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

As vidas atrás dos espelhos

Mais do que qualquer apetite científico ou do que qualquer desejo de mergulho académico, o prazer dos documentários biográficos vai-me servindo sobretudo para aconchegar a curiosidade e a vontade de descobrir novos pormenores sobre os visados, até para poder ligar pontas que, antes dessas abordagens, pareciam soltas e desligadas. No domínio das artes, essas motivações crescem exponencialmente, até por permitirem descobrir, nas vidas, circunstâncias e contextos que ganham reflexo nas obras. Como estas coisas valem mais quando vão aparecendo naturalmente, acontecem-me por revoadas. A presente pôs-me a ver três poderosos documentos sobre gente do cinema, em que nem sempre o "valor facial" retrata o real.

Premium

nuno camarneiro

Uma aldeia no centro da cidade

Os vizinhos conhecem-se pelos nomes, cultivam hortas e jardins comunitários, trocam móveis a que já não dão uso, organizam almoços, jogos de futebol e até magustos, como aconteceu no sábado passado. Não estou a descrever uma aldeia do Minho ou da Beira Baixa, tampouco uma comunidade hippie perdida na serra da Lousã, tudo isto acontece em plena Lisboa, numa rua com escadinhas que pertence ao Bairro dos Anjos.

Premium

Rui Pedro Tendinha

O João. Outra vez, o João Salaviza...

Foi neste fim de semana. Um fim de semana em que o cinema português foi notícia e ninguém reparou. Entre ex-presidentes de futebol a serem presos e desmentidos de fake news, parece que a vitória de Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, de Renée Nader Messora e João Salaviza, no Festival do Rio, e o anúncio da nomeação de Diamantino, de Daniel Schmidt e Gabriel Abrantes, nos European Film Awards, não deixou o espaço mediático curioso.