Fotografias de Edgar Martins integram exposição de obras de arte feitas por presidiários

Uma série de fotografias do português Edgar Martins integra uma exposição de trabalhos feitos por presidiários patente ao público a partir de hoje no centro de artes Southbank Centre, em Londres.

"I'm Still Here" é a 11.ª exposição produzida pela Fundação Koestler, que promove programas artísticos nas prisões e apoia mais de 3.500 pessoas no sistema criminal para aprenderem novas competências e exprimirem-se de forma criativa.

As obras de arte em exposição, entre as quais pinturas, esculturas ou textos, foram produzidas por criminosos, reclusos em hospitais prisão e presidiários que participaram nos Prémios Koestler 2018.

Este ano, as peças foram selecionadas por cinco famílias de presos, escolhendo aquelas que consideraram mais relevantes e que ilustram as próprias experiências, através de artes plásticas, escrita ou música.

Ao contrário de edições anteriores, Edgar Martins foi convidado não para programar a exposição, mas para fazer parte da mostra, produzindo fotografias inéditas relacionadas com o ambiente das penitenciárias, como um telemóvel ou maços de cigarros.

"Foi solicitado a cada família que escolhesse um objeto representativo da sua experiência de encarceramento e foi com base nestes objetos que produzi as minhas imagens", contou o artista à agência Lusa.

As obras, apresentadas em conjunto com os trabalhos dos reclusos, são também um produto de um projeto que Edgar Martins tem estado a desenvolver nos últimos três anos na prisão de Birmingham e no bairro local de Wilson Green.

"Muitas das obras que apresentei não existem isoladamente deste contexto, pois têm em conta também as várias conversas, visitas e correspondência que eu próprio tenho mantido com prisioneiros em Birmingham", adiantou.

Martins sente-se realizado com o envolvimento com a Koestler Trust porque o seu trabalho pode assim ser contemplado por pessoas que nem sempre frequentam galerias ou museus de arte contemporânea.

"Como muito do trabalho tenta repensar a imagética associada à prisão ou encarceramento, foi importante apresentá-lo precisamente num contexto criado para apoiar prisioneiros ou ex-prisioneiros", vincou.

O projeto que Edgar Martins está a fazer em Birmingham, a desafio da organização GRAIN Projects, chama-se "What Photography has in Common with an Empty Vase: A Sociological Study of Absence and the Impossible Document".

As fotografias vão ser publicadas em livro em 2019 e expostas no Museu Nacional de Arte Contemporânea de Lisboa, no Museu de Arte de Macau em 2020 e ainda na Galeria Filomena Soares, em Lisboa, que passou a representar o artista.

A exposição "I'm Still Here", no Southbank Centre em Londres, mantém-se até 04 de novembro.

Edgar Martins nasceu em Évora, cresceu em Macau e vive atualmente em Bedford, no Reino Unido, e o seu trabalho tem vindo a ser exposto e premiado internacionalmente.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

Premium

Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.