Fitch descarta cenário de recessão da economia mundial

A agência de notação financeira Fitch não está à espera que a economia mundial entre em recessão, apesar de as perspetivas de crescimento terem registado uma forte degradação desde que divulgou o último relatório, em dezembro do ano passado.

"Apesar da acentuada deterioração do crescimento, não vemos o início de uma recessão global", refere um relatório da equipa de economistas da Fitch, que reviu em baixa as projeções de crescimento para 2019 e 2020. Em vez de um crescimento de 3,1%, a Fitch Ratings espera agora que a ecomimia mundial avance 2,8% em 2018 e aponta para uma expansão de 2,8% no próximo ano contra os anteriores 2,9%.

"Depois de uma tal deterioração generalizada dos números, não é fácil identificar a fonte do choque" refere o economista-chefe da Fitch, Brian Coulton, acrescentando que os dados apontam "o enfraquecimento da procura das economias emergentes como um dos principais impulsionadores da desaceleração da produção industrial global e do comércio mundial".

Entre os fatores que levam a equipa de economista da agência de notação financeira a afastar, ainda assim, um cenário de recessão a nível global, está o comportamento da economia norte-americana, que continua a crescer acima da média, e também por antecipar que "algumas das debilidades observadas na Zona Euro se devem a fatores temporários que devem começar a diminuir em breve".

As medidas de estímulo à economia anunciadas pela China e o facto não se ter chegado a materializar a subida de tarifas dos EUA às importações da China, havendo até "uma expectativa crescente de que isso possa ser evitado", são outros dos pontos que levam a Fitch Ratings a descartar um cenário de recessão.

"Além disto, nos últimos meses, verificou-se uma mudança considerável no ambiente de política monetária global" indica a Fitch, salientando que a Reserva Federal norte-americana (Fed) sinalizou uma pausa na subida das taxas de juro pelo que prevê agora apenas uma subida este ano em vez das três que tinham sido sinalizadas".

Recorde-se que a Reserva Federal Norte-Americana (Fed) optou por não mexer nos juros, em fevereiro, na sua primeira reunião deste ano, e hoje, dia em que os responsáveis da Fed terminaram uma reunião de dois dias, decidiu manter as taxas inalteradas.

Relativamente ao Banco Central Europeu (BCE), a Fitch assinala que a instituição liderada por Mario Draghi também "respondeu rapidamente à surpresa do crescimento económico e parece agora improvável que aumente as taxas de juro antes do final de 2020".

No início do mês, o BCE desceu a estimativa de expansão da zona euro para 1,1% em 2019, face à anterior previsão de dezembro, de um crescimento de 1,7%, e depois da expansão abaixo do esperado de 1,8% em 2018. Em paralelo, sinalizou a adoção de novas medidas de estímulos.

A Fitch assinala ainda que a economia da zona euro revelou ser uma das mais expostas ao abrandamento do comércio mundial, sendo fortemente influenciada pelo peso da economia alemã, "uma das mais abertas da zona euro, com forte exposição ao mercado chinês", e onde a venda dos automóveis revela ter uma "exposição desproporcional" pelo facto de as exportações deste setor representarem 8% do Produto Interno Bruto (PIB) alemão.

"Embora haja indícios de perda de força no investimento em Itália e de permanecerem os protestos de rua [dos coletes amarelos] em França, as condições para o crescimento da procura interna permanecem resilientes", nota a Fitch, referindo as melhorias no mercado de trabalho, o crescimento do emprego e do rendimento.

Relativamente ao Reino Unido, a agência de 'rating' tem uma previsão mais pessimista, tendo em conta a incerteza em torno do 'Brexit'.

"O impacto da incerteza do 'Brexit' na procura interna tornou-se mais evidente. O investimento recuou em 2018, registando o maior período de contração desde 2008/2009", refere o documento.

"Combinado com o enfraquecimento da previsão de crescimento para a zona euro - o maior parceiro comercial do Reino Unido - [o adiamento do 'Brexit'] torna ainda mais difícil imaginar qualquer recuperação de crescimento o Reino Unido antes do final de 2019".

Em relação à China, a casa de notação financeira adianta que manteve a previsão de crescimento inalterada face aos valores que tinha divulgado em dezembro.

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