Fantasporto exibe hoje "Easy Rider" no arranque da 39.ª edição do festival

O festival internacional de cinema Fantasporto regressa hoje ao Porto para a sua 39.ª edição, que se prolonga até 03 de março sob o tema dos "Desafios da Modernidade".

O festival, que decorre no Teatro Municipal Rivoli, tem hoje a sua pré-abertura, para assinalar os 50 anos de "Easy Rider", sendo o filme de abertura oficial, na sexta-feira, "Prospect", de Zeek Earl e Chris Caldwell, já premiado no SXSW deste ano.

Na quarta e na quinta-feira vão ser exibidos, respetivamente, "The Shining" e "Laranja Mecânica", para assinalar os 90 anos de nascimento do realizador Stanley Kubrick.

A fechar o festival, no dia 02 de março, vai estar "The Russian Bride", Michael S.Ojeda, incluindo-se, a par do filme de abertura, na competição de cinema fantástico com um total de 19 obras, nas quais se encontram os mais recentes trabalhos de Peter Strickland e de Kim Ki-Duk, realizador sul-coreano este ano acusado por várias atrizes de violação, abusos sexuais e comportamentos sexualmente agressivos.

Se na competição de longas-metragens de cinema fantástico não há portugueses presentes, havendo apenas um filme brasileiro em representação lusófona, na de curtas-metragens encontram-se "Bluebird", de Amanda Sant'Anna, Carlos Fernandes, Gonçalo Veloso, João Lage e João Mendes, e "Mysteries of the Wild", de Rui Veiga.

Na semana dos realizadores, o destaque vai para o documentário "The Panama Papers", de Alex Winter, que conta com a realizadora Laura Poitras como produtora executiva, vencedora do Óscar para melhor documentário em 2015 com "Citizenfour", sobre Edward Snowden.

De volta estão também a secção Orient Express e os prémios do cinema português e de melhor escola de cinema.

De acordo com a diretora, Beatriz Pacheco Pereira, esta edição do festival de cinema portuense conta também com um "número recorde de participação portuguesa", levando 57 filmes portugueses a concurso.

"Há uma preocupação de fazer pelo cinema português aquilo que as entidades não fazem, que é incentivar a fazer cinema e projetar os jovens talentos", frisou.

O festival vai receber ainda duas retrospetivas: uma sobre a mudança do rosto do feminino em Taiwan dos anos 1960 e outra sobre a nova geração húngara.

O Fantasporto vai exibir, na sexta-feira, "Alien", de Ridley Scott, para assinalar os 40 anos do filme.

"A lógica do Fantasporto é manter a nossa marca, marca que também passa pela descoberta de novos realizadores. Temos sido o festival que é conhecido pelos filmes que foram exibidos, o que revela que as nossas apostas, ao longo destes quase 40 anos, têm sido as certas", salientou o diretor do festival, Mário Dorminsky, em conferência de imprensa no final de janeiro.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

Conhecem a última anedota do Brexit?

Quando uma anedota é uma anedota merece ser tratada como piada. E se a tal anedota ocupa um importante cargo histórico não pode ser levada a sério lá porque anda com sapatos de tigresa. Então, se a sua morada oficial é em Downing Street, o nome da rua - "Downing", que traduzido diz "cai, desaba, vai para o galheiro..." - vale como atual e certeira análise política. Tal endereço, tal país. Também o número da porta de Downing Street, o "10", serve hoje para fazer interpretações políticas. Se o algarismo 1 é pela função, mora lá a primeira-ministra, o algarismo 0 qualifica a atual inquilina. Para ser mais exato: apesar de ela ser conservadora, trata-se de um zero à esquerda. Resumindo, o que dizer de uma poderosa governante que se expõe ao desprezo quotidiano do carteiro?

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A escolha de uma liberdade

A projeção pública da nossa atividade, sobretudo quando, como é o caso da política profissional, essa atividade é, ela própria, pública e publicamente financiada, envolve uma certa perda de liberdade com que nunca me senti confortável. Não se trata apenas da exposição, que o tempo mediático, por ser mais veloz do que o tempo real das horas e dos dias, alargou para além da justíssima sindicância. E a velocidade desse tempo, que chega a substituir o tempo real porque respondemos e reagimos ao que se diz que é, e não ao que é, não vai abrandar, como também se não vai atenuar a inversão do ónus da prova em que a política vive.

Premium

Marisa Matias

Penalizações antecipadas

Um estudo da OCDE publicado nesta semana mostra que Portugal é dos países que mais penalizam quem se reforma antecipadamente e menos beneficia quem trabalha mais anos do que deve. A atual idade de reforma é de 66 anos e cinco meses. Se se sair do mercado de trabalho antes do previsto, o corte é de 36% se for um ano e de 45%, se forem três anos. Ou seja, em três anos é possível perder quase metade do rendimento para o qual se trabalhou uma vida. As penalizações são injustas para quem passou, literalmente, a vida toda a trabalhar e não tem como vislumbrar a possibilidade de deixar de fazê-lo.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

O planeta dos sustentáveis 

Ao ambiente e ao planeta já não basta a simples manifestação da amizade e da esperança. Devemos-lhes a prática do respeito. Esta é, basicamente, a mensagem da jovem e global ativista Greta Thunberg. É uma mensagem positiva e inesperada. Positiva, porque em matéria de respeito pelo ambiente, demonstra que já chegámos à consciencialização urgente de que a ação já está atrasada em relação à emergência de catástrofes como a de Moçambique. Inesperada (ao ponto do embaraço para todos), pela constatação de que foi a nossa juventude, de facto e pela onda da sua ação, a globalizar a oportunidade para operacionalizar a esperança.