Extrema-direita alemã é a força política mais popular no leste do país - sondagem

Berlim, 21 abr 2019 (Lusa) - O partido alemão de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) é, segundo uma sondagem publicada hoje, a força política mais popular no leste do país, a poucos meses das eleições que se vão realizar nessa região.

A sondagem publicada no diário "Bild am Sonntag" estima que esta formação nacionalista e anti-imigração conseguiria 23% dos votos nos seis estados federados que fazem parte da Alemanha oriental se as eleições nacionais se celebrassem este domingo.

A seguir viriam a União Democrata Cristã (CDU) da chanceler Ângela Merkel (22%), A Esquerda (18%), o Partido Social-Democrata (14%), Os Verdes (12%) e o Partido Liberal (5%).

O estudo indica, salvaguardando as distâncias do tipo de eleição e fórmula de repartição de lugares, a atual correlação de forças antes das próximas eleições regionais previstas para este ano. A Saxónia e Brandemburgo vão às urnas a 1 de setembro e a Turíngia a 27 de outubro.

Mesmo ganhando as eleições, não parece viável que a AfD ascenda ao governo em nenhum destes três Länder (estados federados) - porque a CDU se recusa a coligar com eles - mas um bom resultado dos extrema-direita dificultaria a formação de coligações estáveis.

Os resultados no leste da Alemanha diferem bastante dos resultados no oeste e das previsões para a totalidade do país, devido ao facto da população ser mais numerosa na zona oeste.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?