Exploração de calcário em Angola "aquém" das necessidades do setor agrícola -- Governo

O número de empresas que explora calcário em Angola "está ainda muito aquém" das necessidades que o setor da agricultura apresenta, disse hoje o ministro da Agricultura e Florestas angolano, que defendeu, porém, uma exploração "racional e sustentável".

Marcos Nhunga, que falava no encerramento do 'workshop' sobre "Uso de calcário dolomítico para a recuperação e estabilização dos solos em Angola", considerou que a exploração racional das rochas deve contribuir para o aumento da produção.

"O desafio consiste numa melhor estruturação do processo de licenciamento das empresas com capacidade financeira, técnica e tecnológica, para que o produto, calcário dolomítico, esteja disponível para o uso na agricultura", afirmou.

O calcário dolomítico permite a recuperação e estabilização de solos ácidos ou muito ácidos nas explorações agrícolas, garantindo também a manutenção da sua qualidade nas áreas de cultura, sublinhou.

Em Angola, existem importantes reservas de rochas calcárias em vastas regiões do território.

"O país precisa de elevar o número dessas explorações, para que se contribua na redução dos preços ainda em discussão. Achamos que, quanto maior for a oferta, o preço e a qualidade também terão as suas influências" comentou.

Como recomendações, sobretudo "às instituições competentes", o governante considerou que o país "necessita de munir-se de capacidade técnica e laboratorial", para conferir a obrigatoriedade da análise física e química do calcário, bem como a necessidade da determinação da qualidade dos solos.

Para o ministro dos Recursos Mineiras e Petróleos angolano, Diamantino Pedro Azevedo, "grande parte da vasta extensão de terras areáveis do país possui solos ácidos e pobres de nutrientes", pelo que carece do uso de corretivos para a sua recuperação.

"Assim, neste processo, o calcário dolomítico surge como uma alternativa endógena, sustentável e pouco onerosa. O calcário constitui uma importante matéria-prima com numerosas aplicações", realçou Diamantino Pedro Azevedo.

O subsetor dos Recursos Minerais tem de "contribuir de forma a minimizar a importação desses insumos", defendeu.

"Parte das receitas utilizadas para a importação de adubos e fertilizantes poderá ser canalizada para acudir outras áreas, garantindo o bem-estar das populações", concluiu.

O 'workshop' foi promovido pelos ministérios da Agricultura e Florestas e dos Recursos Mineiras e Petróleos.

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