Ex-adjunto de autarca de Gaia acusa presidente da Assembleia Municipal de "calúnia"

O ex-adjunto do presidente da Câmara de Gaia Bruno Santos classificou hoje de "denúncia infame" e "caluniosa" a acusação por falsificação de assinatura de que foi alvo pelo presidente da Assembleia Municipal, Albino Almeida.

Em causa está uma queixa apresentada por Albino Almeida contra Bruno Santos, na qual a câmara se constituiu assistente e a que o presidente da autarquia aludiu à margem de uma audiência de julgamento no processo em que está acusado de difamação pelo ex-adjunto.

A 10 de abril, e depois de ter falhado uma segunda tentativa de acordo entre os dois, Eduardo Vítor Rodrigues revelou, à porta do tribunal, que o município tem quatro processos em curso contra Bruno Santos, estando nomeadamente em causa um relacionado com falsificação de assinatura.

"Esta afirmação capciosa pretende, mais uma vez, lançar a suspeita sobre a minha idoneidade e a verticalidade com que exerci funções na Câmara de Gaia", refere Bruno Santos em nota escrita à Lusa.

No próximo dia 16 de maio, o presidente de câmara vai começar a ser julgado por alegada difamação ao seu ex-adjunto, estando na origem da questão textos publicados pelo autarca nas redes sociais que, alegadamente, tinham como alvo o ex-colaborador, demitido um mês antes, processo em nada relacionado com a alegada falsificação de assinatura.

Para Bruno Santos, com as declarações feitas à saída do tribunal, Vítor Rodrigues "está a tentar transformar em refrega de baixa política -- por mera estratégia jurídica -- aquilo que foi, e continua a ser, uma clara tentativa de assassinato de caráter, pela qual foi acusado pelo Ministério Público e por um juiz de instrução criminal".

Sobre o processo por falsificação de assinatura, explica que "essa denúncia infame foi feita pelo presidente da Assembleia Municipal [de Gaia] Albino Almeida -- a título jurídico pessoal".

Albino Almeida "acusa agora -- tão oportuno! -- de ter falsificado a sua assinatura numa Carta de Recomendação que ele próprio redigiu, assinou e me entregou pouco depois da minha exoneração de funções".

"Eu próprio entreguei ao Ministério Público o original desse documento, assinado à minha frente pelo presidente da Assembleia Municipal de Gaia, Albino Almeida, e datado de 10 de setembro de 2016", destaca.

Contactado pela Lusa, Albino Almeida reitera a ação que colocou em tribunal e disse que provará "taxativamente", no sítio próprio, que não assinou nem redigiu a carta em questão.

"O Dr. Bruno não esteve ao nível da amizade e do trabalho que desenvolveu no grupo de trabalho quando assumia funções na câmara", afirmou à Lusa, garantindo ter "provas irrefutáveis" daquilo de que acusa Bruno Santos.

Para o presidente da Assembleia Municipal, "o Dr. Bruno mostra estar desesperado e isto é um ato ignóbil e escabroso".

Já Para Bruno Santos, a "intenção subjacente a esta denúncia caluniosa, assim como a capciosa referência que a ela faz Eduardo Vítor Rodrigues no preciso momento em que começa a ser julgado pelo crime de que vem acusado, é esclarecedora sobre o estado a que chegaram algumas instituições autárquicas de Vila Nova de Gaia".

"Julgo que seria altura de as autoridades superiores deste país, que é um Estado de Direito Democrático, prestarem mais atenção ao que aqui se está a passar. Foi nesse sentido que tomei já a iniciativa de informar o senhor Primeiro-Ministro e a sua excelência, o senhor Presidente da República", indica.

Bruno Santos, que exerceu funções como adjunto entre dezembro de 2013 e julho de 2016, está a pedir uma indemnização de 50 mil euros.

Falhada que foi a segunda tentativa de acordo, a juíza agendou o início do julgamento para 16 de maio, às 09:30.

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