Évora defende traçado mais afastado da cidade para linha ferroviária Sines/Caia

A Câmara de Évora defendeu hoje que seja reconsiderado o traçado mais afastado da cidade para a linha ferroviária Sines/Caia, abandonado pela Infraestruturas de Portugal (IP), mas admitiu outras duas soluções, apesar dos impactos negativos.

"O traçado que se aproximava do IP2 e que, entretanto, foi abandonado parece-nos ser uma alternativa que deveria ser estudada, porque poderia minimizar alguns dos impactos que detetámos no território", afirmou hoje à agência Lusa o presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá (CDU).

Esta é uma das conclusões de um parecer do município sobre o troço Évora/Évora Norte, integrado na futura ferrovia de mercadorias Sines/Caia, no âmbito da discussão pública para avaliação do impacte ambiental dos traçados, que foi aprovado na mais recente reunião pública de câmara, com os votos favoráveis dos eleitos da CDU e do PSD e a abstenção dos vereadores do PS.

O traçado inicialmente proposto pela empresa pública para a nova linha ferroviária de transporte de mercadorias entre Sines e Caia (Elvas) foi contestado pelo município, partidos, movimentos e população de Évora por passar numa zona urbana, na freguesia da Senhora da Saúde, tendo a IP apresentado várias alternativas.

Hoje, em declarações à Lusa, o autarca de Évora congratulou-se por ter sido abandonada "a primeira versão do traçado em que o comboio atravessava a cidade", mas salientou que uma das alternativas da IP também é rejeitada pelo parecer municipal por, "ainda assim, atravessar a cidade", numa zona "ligeiramente mais para leste".

Pinto de Sá disse que o parecer admite uma das outras duas alternativas, advertindo que estas, apesar de ultrapassarem "os principais problemas relacionados com o atravessamento da cidade", têm "impactos negativos significativos ao nível das questões sociais do território e ambientais".

"Daí que tivéssemos incluído o corredor que se aproximava do Itinerário Principal 2 (IP2) e que, entretanto, foi abandonado" pela IP, realçou, indicando que este "é o que parece ter menos impactos negativos".

O parecer, segundo o presidente do município, defende também a criação de um cais de mercadorias e zona logística junto à cidade para servir a região e sugere um estudo sobre a possibilidade de uma variante que permita afastar os comboios que não param em Évora e que transportem mercadorias perigosas.

"Qualquer uma das soluções que venha ser escolhida precisa de ter, depois, um estudo aprofundado no sentido de se poder minimizar os impactos no território e ter medidas de mitigação que apoiem a inserção da linha no território", acrescentou.

De acordo com o autarca alentejano, o período de discussão pública para avaliação do impacte ambiental dos traçados propostos terminou na segunda-feira.

De acordo com a IP, a nova linha ferroviária entre Évora e a fronteira do Caia (Elvas), distrito de Portalegre, que integra o Corredor Internacional Sul, terá uma extensão total de cerca de 100 quilómetros, 80 dos quais de construção nova, em via única eletrificada sobre plataforma para via dupla e preparada para receber a bitola europeia.

O projeto é apoiado por fundos comunitários através do programa Mecanismo Conectar Europa, ao abrigo de contratos de cofinanciamento com comparticipações que variam entre 40 e 50%.

A nova ferrovia entre Évora e a fronteira de Caia custará, ao todo, nos próximos anos, mais de 500 milhões de euros.

A obra de construção da nova linha deverá começar até março de 2019 e a conclusão está programada para o primeiro trimestre de 2022, num custo de 509 milhões de euros (quase metade provenientes de fundos europeus), segundo o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas.

O Plano Ferrovia 2020, que promove as ligações com Espanha e a modernização dos principais eixos ferroviários, engloba, no total, um investimento superior a dois mil milhões de euros, dando especial destaque ao transporte de mercadorias e ao transporte público de passageiros.

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