EUA e Turquia ainda longe de acordo para diminuir conflito diplomático bilateral

Os EUA e a Turquia não conseguiram chegar a acordo para reduzir as tensões bilaterais durante um encontro em Washington e após a imposição mútua de sanções devido à detenção de um religioso norte-americano, referiram hoje os 'media' turcos.

Uma delegação turca chefiada pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Sedat Önal, reuniu-se na quarta-feira com responsáveis norte-americanos em Washington, mas as duas partes apenas concordaram em "prosseguir as conversações".

A delegação turca manteve ainda um encontro com representantes do Tesouro (ministério das Finanças) dos Estados Unidos.

A tensão entre as duas capitais, latente desde há longos meses, agravou-se após a imposição por parte de Washington, em 01 de agosto, de sanções contra dois ministros turcos devido ao caso do pastor norte-americano Andrew Brunson, detido na Turquia há dois anos sob a acusação de "terrorismo" e que o religioso tem negado.

A Turquia respondeu às sanções com contramedidas semelhantes dirigidas a altos cargos norte-americanos.

Segundo fontes diplomáticas citadas pelo diário turco Sözcü, altos responsáveis em Washington informaram a delegação turca que a libertação de Brunson não era suficiente, e pediram a liberdade para outros 12 cidadãos norte-americanos que permanecem em prisões turcas.

Na lista também figuravam dois outros cidadãos na nacionalidade turca e funcionários na embaixada dos EUA em Ancara, cuja detenção motivou, em outubro de 2017, a suspensão mútua em de vistos entre os dois países.

"Segundo fontes diplomáticas, o que levou as negociações a um ponto morto foi o pedido de Washington de uma garantia por escrito sobre a libertação dos cidadãos norte-americanos", assegurou o diário, citado pela agência noticiosa Efe.

Apesar de as relações bilaterais manterem várias situações em aberto, incluindo o apoio norte-americano a milícias curdas sírias que Ancara considera "terroristas", a detenção do pastor evangélico foi o fator que despoletou a aplicação de sanções mútuas entre os dois aliados da NATO.

A Turquia acusa por sua vez Washington de não pretender extraditar o predicador islamita Fethullah Gülen, autoexilado nos EUA há 19 anos e acusado de responsabilidade pelo fracassado golpe de Estado militar de julho de 2016, uma alegação que também tem rejeitado.

A justiça norte-americana assegura que Ancara não forneceu provas suficientes que justifiquem a extradição de Gülen.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, chegou a insinuar a possibilidade de "trocar o pastor por outro", mas depois assegurou que Brunson não era "uma moeda de troca".

Diversos 'media' norte-americanos também se referiram ao falhanço dos contactos de quarta-feira, e o Wall Street Journal admite que os EUA poderão impor novas sanções à Turquia.

As medidas retaliatórias dos EUA aceleraram a queda da lira turca, que perdeu mais de 25% do seu valor em 2018, e aumentaram a desconfiança dos investidores no país euro-asiático.

Por sua vez, a delegação turca pediu a Washington a concessão de diversos privilégios para que Ancara prossiga o comércio de petróleo e gás com Teerão, e sem ser afetado pelas sanções norte-americanas retomadas desde o início de agosto contra a República islâmica.

Na quarta-feira, o ministro turco da Energia e recursos naturais, Fatih Dönmez, assegurou que o seu país vai prosseguir os seus laços comerciais com o Irão, apesar das advertências de Washington sobre a proibição de empresas turcas que cooperem com o Irão em manterem operações nos Estados Unidos.

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