Estados Unidos acusam presidente da Nicarágua de ser responsável pela violência no país

O Governo dos Estados Unidos acusou hoje o Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, de ser o único responsável pela violência que assola o país desde abril e que causou a morte de centenas de pessoas.

"Sejamos claros, é o Governo de Ortega que renova a violência todos os dias para matar o seu povo e assim permanecer no poder", denunciou o embaixador norte-americano na Organização dos Estados Americanos (OEA), Carlos Trujillo, durante uma audiência do Comité de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, cujo objetivo era analisar a situação no país da América Central.

Carlos Trujillo disse que o único objetivo do governo nicaraguense neste momento é silenciar as vozes dos cidadãos que exigem "reformas que permitam a realização de eleições livres" rapidamente.

Nesta mesma audiência, Michael Kozak, oficial funcionário do escritório de democracia e direitos humanos do Departamento de Estado, detalhou algumas das medidas alegadamente usadas por Ortega para atingir seu objetivo.

"O governo emprega gangues para controlar os protestos de forma violenta. Há informações confiáveis de assassinatos extrajudiciais, desaparecimentos forçados e tortura e até evidências do uso de francoatiradores", frisou Kozak.

A audiência ocorreu apenas um dia depois da a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) denunciar a intensidade da repressão contra os manifestantes pelas autoridades nicaraguenses.

Desde 18 de abril que a Nicarágua é palco de manifestações e confrontos violentos.

Os manifestantes acusam o Presidente Daniel Ortega e a mulher e vice-Presidente, Rosario Murillo, de abuso de poder e de corrupção.

Daniel Ortega está no poder desde 2007, após um primeiro mandato de 1979 a 1990.

Segundo a Associação Nicaraguense pelos Direitos Humanos (ANPDH), pelo menos3 51 pessoas morreram e 261 estão desaparecidas na Nicarágua

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

Legalização da canábis, um debate sóbrio 

O debate público em Portugal sobre a legalização da canábis é frequentemente tratado com displicência. Uns arrumam rapidamente o assunto como irrelevante; outros acusam os proponentes de usarem o tema como mera bandeira política. Tais atitudes fazem pouco sentido, por dois motivos. Primeiro, a discussão sobre o enquadramento legal da canábis está hoje em curso em vários pontos do mundo, não faltando bons motivos para tal. Segundo, Portugal tem bons motivos e está em boas condições para fazer esse caminho. Resta saber se há vontade.

Premium

nuno camarneiro

É Natal, é Natal

A criança puxa a mãe pela manga na direcção do corredor dos brinquedos. - Olha, mamã! Anda por aqui, anda! A mãe resiste. - Primeiro vamos ao pão, depois logo se vê... - Mas, oh, mamã! A senhora veste roupas cansadas e sapatos com gelhas e calos, as mãos são de empregada de limpeza ou operária, o rosto é um retrato de tristeza. Olho para o cesto das compras e vejo latas de atum, um quilo de arroz e dois pacotes de leite, tudo de marca branca. A menina deixa-se levar contrariada, os olhos fixados nas cores e nos brilhos que se afastam. - Depois vamos, não vamos, mamã? - Depois logo se vê, filhinha, depois logo se vê...