Especialistas e técnicos reúnem-se para debater gestão agroflorestal em Timor-Leste

Especialistas e técnicos timorenses e internacionais analisam esta semana os desafios que o desenvolvimento de uma gestão agroflorestal sustentável coloca ao país, onde o setor agrícola continua a ser o maior empregador da população.

O encontro de trabalho, que inclui várias visitas de campo a regiões que já são de importância estratégica no setor, como os distritos de Ermera e Aileu, a sul de Díli, é organizado no âmbito do Programa de Apoio à Aliança Global Contra as Alterações Climáticas em Timor-Leste (GCCA-TL).

José Pedro Machado Neves, embaixador de Portugal em Díli, abriu hoje os quatro dias de trabalho que incluirá visita às instalações de projetos agroflorestais em Railaco e Gleno, no distrito de Ermera, e à estação agroflorestal experimental apoiada pela Cooperação Portuguesa na Quinta de Portugal, em Aileu.

Entre os temas em debate, os participantes vão analisar os vários tipos de sistemas agroflorestais e a sua implementação, a gestão das bacias hidrográficas e do uso de solos e os impactos ambientais e económicos.

O Programa de Apoio à Aliança Global Contra as Alterações Climáticas em Timor-Leste (GCCA-TL na sua sigla em inglês) é implementado pelo Camões I.P., em conjunto com a GIZ, e cofinanciado pela União Europeia.

Iniciativa da Comissão Europeia lançada em 2007 o GCCA "visa fortalecer o diálogo e a cooperação, no que se refere às alterações climáticas, com os países em desenvolvimento mais vulneráveis a estas alterações e apoiar esforços no desenvolvimento e implementação de respostas para adaptação e mitigação".

O programa centra-se "nos países menos desenvolvidos e nos pequenos Estados insulares em desenvolvimento" que "contribuem pouco para a emissão de gases de estufa, mas são, muitas vezes, os mais afetados pelas alterações climáticas, possuindo recursos limitados para fazer face aos desafios relacionados com estas alterações".

Organizações internacionais, a União Europeia e as próprias autoridades timorenses têm vindo a alertar que Timor-Leste, como outras nações do Pacífico, já começa a sentir o impacto das alterações climáticas, com mudanças no padrão das chuvas, que ocorrem durante menos dias mas com mais intensidade.

Timor-Leste ratificou em 2006 a Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC) tendo aderido também à segunda fase do Protocolo de Quioto.

Nos últimos anos, Timor-Leste tem implementado várias iniciativas neste quadro, incluindo pequenos projetos de infraestruturas agrícolas, a reabilitação de mangues, projetos de limpeza de água e várias campanhas de informação e educação sobre temas ambientais.

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