Espaço para universitários previsto no projeto de requalificação de Entrecampos, Lisboa

A Operação Integrada de Entrecampos, em Lisboa, vai contar com um equipamento aberto 24 horas para os alunos universitários poderem estudar, segundo uma proposta apresentada pelo PSD e que foi aprovada hoje pela Câmara Municipal.

O executivo municipal de Lisboa aprovou, por maioria, as orientações estratégicas para a Operação Integrada de Entrecampos e deu, também, aval a uma proposta do PSD, apresentada como um "contributo para a melhoria" deste projeto.

No documento apresentado pelos sociais-democratas, é contemplado um "novo equipamento de espaço 24 horas aos estudantes universitários de Lisboa, com uma área de 400 metros quadrados, orientado para a promoção de uma cultura de empreendedorismo através da comunicação entre o novo polo internacional de serviços de excelência de Entrecampos e os estudantes do ensino superior da cidade, a incluir no loteamento da Av. das Forças Armadas".

O texto apresentado pelo PSD prevê também "um reforço da percentagem de habitação", sendo que atualmente está previsto "30%, e o objetivo é que chegue próximo dos 35%", explicou o vereador João Pedro Costa.

Segundo o eleito, nesta habitação devem predominar "tipologias viradas para a família", pelo que "a grande maioria das habitações deve ser de T2 para cima".

Segundo a vereadora Teresa Leal Coelho, o PSD já tem vindo a dar contributos neste projeto e a "proposta final resultará da integração da proposta do PSD na proposta do executivo".

O documento prevê também que o projeto contemple estacionamento para os moradores e seja feito um estudo de tráfego na zona.

Esta operação prevê a construção de 700 fogos de habitação de renda acessível na zona de Entrecampos (515 construídos pelo município) e de um parque de estacionamento público na Avenida 5 de Outubro. A operação está orçada em 800 milhões de euros, dos quais 100 milhões serão responsabilidade do município.

Nos terrenos da antiga Feira Popular vão nascer mais 279 habitações, que serão postas em regime de venda livre, e escritórios, que a Câmara prevê que levem à criação de 15 mil novos empregos.

A Câmara de Lisboa abriu em 01 de junho a discussão pública do projeto de loteamento nos terrenos da antiga Feira Popular, e foi possível apresentar propostas até 22 de junho.

O envio para consulta pública da Operação Integrada de Entrecampos, como lhe chama o município, foi aprovado em 17 de maio com os votos favoráveis de quase todos os vereadores da Câmara Municipal de Lisboa, exceto o CDS-PP, que alegou que a proposta viola as regras do Plano Diretor Municipal (PDM).

Em 07 de junho realizou-se na Assembleia Municipal de Lisboa uma discussão pública sobre a reabilitação da zona de Entrecampos, mas em meados de maio também já tinha sido realizado um debate de atualidade sobre este projeto.

Em declarações à agência Lusa, o vereador João Ferreira (PCP), frisou que existe um "conjunto de questões que suscitam dúvidas e reservas", nomeadamente a "ausência de estudos de impacto económico, funcional e ambiental daquela solução".

João Gonçalves Pereira, do CDS-PP, manifestou "enormes reservas em matéria de substância de legalidade daquela operação". Na sua opinião, "em Entrecampos devia haver 70% de habitação e 30% de serviços, e não o contrário".

Já Ricardo Robles (BE) salientou à Lusa que "não deixa de haver uma alienação de património, mas agora há uma lógica de cidade diferente".

"Lisboa perde aquele terreno, mas ganha em habitação e equipamentos para a população", frisou.

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