Escavações no Lapedo em Leiria indiciam ocupação repetida e de curta duração

Leiria, 30 agos (Lusa) - As escavações que decorreram na zona do Abrigo do Lagar Velho, em Leiria, por uma equipa internacional de investigadores, indiciam ocupação repetida, mas de curta duração, disse à agência Lusa a arqueóloga Ana Cristina Araújo.

A arqueóloga do Laboratório de Arqueociências da Direção Geral do Património Cultural (DGPC) Ana Cristina Araújo explicou, após a conclusão dos trabalhos de campo, que os especialistas tiveram indicação de que o local seria "ocupado de forma repetitiva no tempo, mas seria uma ocupação de curta duração".

"As ocupações que surgem parecem ser muito efémeras e há o uso sistemático do fogo. Mas este é um local de variabilidade espacial muito grande. O que encontramos num sítio pode não ser a mesma coisa que está a quatro metros à frente", precisou a especialista.

Segundo referiu, tratou-se de uma ocupação humana e de animais carnívoros, de forma alternada, o que ficou evidente, sobretudo, nas áreas de combustão.

"Leva-nos a crer que procurariam abrigo. Temos muita informação do ponto de vista ecológico, sabendo que se trata de um período frio, que se aproxima de uma das últimas fases da época glaciar", afirmou Ana Cristina Araújo.

A arqueóloga revelou ainda que foram encontrados "restos de espécies levados para o local pelo homem e pelos carnívoros" e a "sucessão de ocupação que é evidenciada pela quantidade impressionante de fauna".

"Encontrámos muitos veados e restos de partes da sua anatomia, alguns em bom estado e outros muito queimados", acrescentou.

Neste momento, o trabalho passou do campo para o laboratório, onde serão desenvolvidos vários estudos, com a datação e análises aos materiais e amostras recolhidas. "Esta primeira fase era uma espécie de ano zero de ambientar-nos ao local e tentar responder a alguns problemas levantados nos trabalhos anteriores. Recolhemos bastantes coisas importantes, que era um dos princípios desta campanha arqueológica", adiantou Ana Cristina Araújo.

O grupo voltará às escavações no próximo ano.

Uma equipa internacional de investigadores de diferentes áreas iniciou uma nova campanha arqueológica na zona do Abrigo do Lagar Velho, em Leiria, onde foi descoberto o "Menino do Lapedo", no final de julho.

Os trabalhos de campo decorreram na zona do Abrigo do Lagar Velho, no Lapedo, freguesia de Santa Eufémia, no concelho de Leiria, e envolveram uma equipa internacional, com "dez a 12" investigadores portugueses e espanhóis, num projeto da qual faz parte o arqueólogo João Zilhão, que liderou as escavações há 20 anos.

Em dezembro assinala-se 20 anos da descoberta do Menino do Lapedo: "Vamos comemorar esta data com um ciclo de conferências internacionais, em que a câmara convidou seis especialistas de distintas áreas do saber, que vão mostrar qual o contributo deste achado na sua área de investigação. Na altura, esta descoberta desencadeou um grande desafio para a ciência e queremos verificar qual o resultado atual".

Atualmente nas reservas do Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, o esqueleto do Menino do Lapedo foi descoberto em dezembro de 1998 e lançou novos dados sobre a história da evolução humana.

Parte considerável dos vestígios encontrados com o achado está em exposição no Centro de Interpretação do Abrigo do Lagar Velho e no Museu de Leiria.

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