Enviado do Burundi às Nações Unidas apela a ajuda para acabar com crise política

O enviado do Burundi às Nações Unidas pediu hoje ao Conselho de Segurança que faça um apelo a todos os protagonistas para que participem num diálogo destinado a ajudar a acabar com a crise política no país.

Michel Kafando disse ao Conselho de Segurança que o anúncio do Presidente Pierre Nkurunziza feito em junho de que não se candidataria a mais um mandado e iria apoiar o vencedor das eleições presidenciais em 2020 "oferece uma oportunidade de fazer progressos em chegar a uma solução final da questão do Burundi".

O anúncio de Nkurunziza seguiu-se a um referendo, bem-sucedido, sobre uma nova constituição que lhe permitiria permanecer no poder até 2034.

O Burundi tem sofrido com violência política desde abril de 2015, quando Nkurunziza anunciou que iria candidatar-se a um terceiro mandato então em disputa. Venceu as eleições, apesar dos protestos generalizados e o país tem vivido com conflitos internos desde então.

A comissão de inquérito das Nações Unidas disse em setembro passado que crimes contra a humanidade tinham sido cometidos no Burundi, incluindo assassinatos, tortura, violência sexual, prisões forçadas e arbitrárias.

O Burundi tem sido atormentado pelos mesmos conflitos étnicos em que se envolveram hutus e tutsis durante o genocídio de 1994, no vizinho Ruanda.

A guerra no Burundi, que é esmagadoramente hutu, começou em 1993, quando paraquedistas tutsis mataram o primeiro Presidente democraticamente eleito no país, hutu de etnia.

A luta entre os rebeldes hutus e o exército dominado pelos tutsis resultou na morte de mais de 250 mil pessoas.

Um cessar-fogo foi declarado em 2006, mas demorou vários anos para acabar com os combates.

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