ENTREVISTA: Introdução de passe único é mudança "radical, disruptiva e revolucionária" - AML

O primeiro-secretário da Área Metropolitana de Lisboa (AML) qualificou hoje a introdução do novo passe único como uma mudança "radical, disruptiva e revolucionária", já que há mais de 40 anos que não há alteração significativa no sistema tarifário dos transportes.

"Do ponto de vista tarifário, da simplificação tarifária, é uma mudança radical, disruptiva, revolucionária. Desde 1976, ou seja, há mais de 40 anos que não havia uma alteração tão significativa no sistema tarifário da Área Metropolitana de Lisboa (AML). Esta mudança leva a que haja uma redução de tarifário significativa e uma simplificação", disse Carlos Humberto, em entrevista à agência Lusa.

De acordo com o primeiro-secretário metropolitano, com esta mudança assiste-se a uma redução de "mais de 700 passes bases, que nas suas subdivisões chegavam a mais de quatro mil" formas, para "um [total] pouco mais acima de 40 passes".

A partir de 01 de abril, os utentes vão passar a ter dois modelos de passes na AML, o Navegante Metropolitano, que permite a utilização "em todos os modos de transporte, todas as empresas de transportes, em toda a Área Metropolitana de Lisboa", que custa no máximo 40 euros mensais.

São também criados 18 passes Navegante Municipal, um para cada um dos 18 concelhos que integram a AML e que, por 30 euros, permitem ao utente utilizar todos os transportes públicos de um concelho, ficando com a denominação da área geográfica a que diz respeito, como por exemplo Navegante Lisboa, Navegante Sintra ou Navegante Vila Franca.

"Com o Navegante Metropolitano vamos poder deslocar-nos de uma ponta à outra em todos os 18 municípios", frisou Carlos Humberto, sublinhando que o Navegante Municipal terá a mesma função que o Metropolitano, mas só irá funcionar na área geográfica do concelho a que diz respeito.

Os utentes com mais de 65 anos vão ter um Navegante com essa denominação, destinado, também a reformados e pensionistas, que por 20 euros irá permitir viajar por toda a região metropolitana de Lisboa, em todos os meios de transporte e empresas, adiantou o responsável.

Os mais novos na AML têm o Navegante 12, um passe sem custos, cuja validade termina no mês em que perfazem 13 anos.

Entretanto, só em julho ficará disponível o Navegante Metropolitano Familiar e o Navegante Municipal Familiar, um atraso de três meses devido a "questões tecnológicas".

Segundo Carlos Humberto, o valor destes passes será o dobro dos unitários, nomeadamente 80 euros, ou 60 euros, respetivamente, independentemente do número de pessoas do agregado familiar.

"Hoje em dia temos pessoas que pagam 50, 80, 150 ou 170 euros [por um passe]. Com a redução tarifária e simplificação tudo é mais simples. [Assistimos a uma] mudança radical na área dos transportes", afirmou Carlos Humberto.

O responsável alertou ainda para a necessidade daqueles que não são utilizadores regulares dos transportes públicos em pedir o cartão Lisboa Viva, dado que "demora alguns dias a ser passado", apesar de "estarem a ser tomadas medidas para que o número de dias diminua entre o pedido do cartão e a sua entrega".

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