ENTREVISTA: Europeias/Polónia: Biedron e o Primavera querem acabar com a "guerra" entre polacos

Varsóvia, 16 mai 2019 (Lusa) - A Polónia precisa de uma terceira força política que coloque um ponto final na "guerra entre polacos" e liberte o país do conflito em que vive 'encurralada' há 15 anos, defendeu à Lusa o líder do partido Primavera.

"É necessário uma terceira força política na Polónia! Durante quase 15 anos temos vividos 'encurralados' num conflito entre dois partidos de direita -- um nacionalista e outro conservador-liberal. Precisamos de uma alternativa progressista. A sociedade exige-o, e o nosso objetivo é demonstrar que estamos preparados para a tarefa", afirmou Robert Biedron, o líder do recém-criado partido Primavera.

Primeiro deputado polaco a assumir-se como homossexual, o antigo presidente de câmara de Slupsk (norte da Polónia), de 43 anos, assume-se como uma única alternativa ao partido conservador eurocético no Governo, o Lei e Justiça (PiS), e à Plataforma Cívica (PO), o partido democrata-cristão na oposição, embrenhados numa luta pelo poder praticamente desde que a Polónia aderiu à União Europeia, em 2004.

"Queremos acabar com esta guerra de polacos contra polacos, porque acreditamos que há espaço para todos neste país e que não existem duas Polónias, como a maioria defende", vincou Biedron, para quem "a hostilidade das lutas políticas há muito que excedeu não só os princípios das boas maneiras, mas a ordem democrática".

Biedron, que anda em campanha pelo país, respondeu por correio eletrónico e recordou episódios dessa hostilidade palpável, como as "acusações de traição e até de assassínio do ex-Presidente Lech Kaczynski", imputadas pelo PiS ao antigo primeiro-ministro Donald Tusk, "a negação do patriotismo ou a exclusão da comunidade nacional" feitas pelo partido no poder, e o desprezo pelos desfavorecidos demonstrado pelo PO.

"A indecisão dos políticos da Coligação Europeia demonstra que o Primavera é a única alternativa credível aos populistas de direita. Estamos do lado dos direitos humanos, do respeito pela diversidade, enquanto a Coligação Europeia teme a própria sombra e os ataques dos populistas. Não temos medo de falar", disse, referindo-se à coligação que a Plataforma Cívica integrou para concorrer às europeias.

Ativista dos direitos LGBTi [Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgénero e Intersexo], o político polaco agitou o debate na conservadora sociedade polaca ao apresentar o seu Primavera, criado em fevereiro, como um partido que apoia o casamento gay, a redução do papel da Igreja Católica na educação e o direito da mulher ao aborto.

"A sociedade polaca é mais liberal do que a antiquada elite política do país. Jaroslaw Kaczynski [líder do PiS] lançou recentemente uma campanha homofóbica, mas a Polónia não é a Rússia. Sou homossexual e assumi-me há muito tempo. Já não conseguem assustar os polacos com a homossexualidade, porque estes sabem que os gay existem e porque têm amigos gay que são pessoas iguais às outras", notou.

No que toca à Igreja Católica, Biedron quer haja um debate sobre a separação do Estado e da Igreja, porque "os polacos estão fartos da sua influência política, dos escândalos de pedofilia e das finanças da Igreja".

"As pessoas estão a rebelar-se contra a má conduta da Igreja. O número de pessoas que vai à missa aos domingos está a cair drasticamente. Nos últimos anos, testemunhámos como milhares e milhares de mulheres e homens se insurgiram contra a influência política da Igreja e contra as elites conservadoras para lutar por direitos básicos das mulheres. Não queremos nada radical, apenas padrões europeus que deveriam ser respeitados em qualquer sociedade democrática. E temos a maioria dos polacos do nosso lado", argumentou.

Confessando esperar atingir os dois dígitos nas eleições europeias -- a última projeção do Parlamento Europeu, de 18 de abril, atribuí-lhe 8,3% das intenções de voto, e o terceiro lugar atrás dos dois grandes blocos -, o líder do Primavera quer que a assembleia europeia perceba que "a extrema-direita populista não é o 'status quo'", mas sim "uma mudança que dê aos europeus uma nova esperança", como o fez Emmanuel Macron em França.

Comparado pela imprensa estrangeira com o Presidente francês, o político polaco deixa bem claro que é "Biedron e não Macron", até porque este "impôs políticas neoliberais" com as quais discorda.

"Sou um político progressista com uma agenda progressista", salientou, assumindo, contudo, ainda não saber que grupo político irá o seu Primavera integrar no hemiciclo europeu: "Estamos mais próximos dos Socialistas e Democratas - o Frans Timmermans [candidato do Partido Socialista Europeu à presidência da Comissão] apoia a nossa campanha - e também somos próximos dos Verdes, especialmente em temas energéticos e ambientais".

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Betinho

Betinho: "NBA? Havia campos que tinham baldes para os jogadores vomitarem"

Nasceu em Cabo Verde (a 2 de maio de 1985), país que deixou aos 16 anos para jogar basquetebol no Barreirense. O talento levou-o até bem perto da NBA, mas foi em Espanha, Andorra e Itália que fez carreira antes de regressar ao Benfica para "festejar no fim". Internacional português desde os Sub-20, disse adeus à seleção há apenas uns meses, para se concentrar na carreira. Tem 34 anos e quer jogar mais três ou quatro ao mais alto nível.