Entidades falam de calamidade causada pela vespa do castanheiro em Vinhais

A Câmara de Vinhais e os partidos da oposição pediram hoje a intervenção do Governo face à "calamidade" causada pela infestação da vespa-das-galhas-do-castanheiro naquele que o um dos maiores produtores de castanha de Portugal.

O executivo socialista da Câmara de Vinhais pede ao Governo uma atuação conjunta para combater a praga e apoio aos produtores para os prejuízos económicos e a candidatura da coligação PSD/CDS-PP reclama que seja declarado o "estado de calamidade".

Vinhais é responsável por dez das cerca de 40 mil toneladas de produção nacional de castanha que equivalem a uma faturação anual "entre 15 a 20 milhões de euros" neste concelho do distrito de Bragança.

As entidades locais temem consequências idênticas às registadas noutros produtores europeus onde esta praga arrasou 80% da produção de castanha.

O vice-presidente da Câmara e candidato do PS às autárquicas, Luís Fernandes, disse à Lusa que a infestação "está a atingir proporções muito grandes, sobretudos nas aldeias da zona da Lomba".

"Tem surgido em muita quantidade e já se espalhou por todos os soutos, mesmo nos castanheiros bravos e nos mais antigos", contou.

As entidades locais ainda estão a fazer o levantamento das zonas afetadas, mas só "na zona da Lomba foram contabilizados dois mil castanheiros contaminados", de acordo com o autarca.

A presença da vespa-das-galhas-do-castanheiro, que reduz o crescimento dos ramos e a frutificação, já foi detetada nos soutos de Vinhais em anos anteriores, mas, sobretudo em novas plantações, o que permitiu resolver o problema com o corte e queima dos ramos contaminados.

Esta operação tem sido realizada, nos últimos dois anos, pelas entidades locais, nomeadamente a Câmara Municipal e a associação florestal Arborea, e conseguido "controlar a praga".

Luís Fernandes contou à Lusa que este ano começaram a fazer o mesmo trabalho e depararam-se com um cenário em que o corte e queima dos ramos afetados já não é a solução.

A solução apontada pelos técnicos, segundo disse, terá de passar pela luta biológica com a largada de um parasitóide que ataca as vespas.

O vice-presidente da autarquia indiciou que "cada largada custa 200 euros" e que "vão ser necessárias muitas".

A Câmara Municipal "está disponível para colaborar na compra" que entende tem de ser integrada numa ação e plano que junte diversas entidades, nomeadamente o Ministério da Agricultura, a associação florestal, a Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes e Instituto Politécnico de Bragança, uma das instituições de ensino superior envolvidas na investigação do parasitóide.

As entidades locais ainda não conseguem quantificar prejuízos, na medida em que não serão já visíveis na produção deste ano, como explicou Luís Fernandes que não tem dúvidas de que "atendendo à situação quase dramática como se está a expandir, vai ter consequências muito graves".

As comissões políticas do PSD e do CDS-PP de Vinhais, que apoiam a candidatura às Autárquicas liderada por Carlos Almendra, divulgaram hoje terem remetido uma missiva a sensibilizar o primeiro-ministro, o ministro da Agricultura e os deputados eleitos pelo círculo eleitoral de Bragança "para as consequências nefastas desta praga".

OS dois partidos realçam que "a castanha é a maior riqueza e ativo do concelho de Vinhais" e que o alastrar desta praga "está a deixar muitos produtores numa situação de verdadeiro desespero".

PSD e CDS-PP vincam ainda que um cenário idêntico de perda de produção na ordem dos 80%, como já aconteceu noutros países, "seria catastrófico" para o concelho de Vinhais.

"Face à gravidade e profundidade que esta praga já atingiu", reclamam que o Governo faça uma avaliação dos danos causados e que pondere "medidas profiláticas" e o decretar do "estado de calamidade pública para ser possível compensar os produtores de castanha através da concessão de apoios financeiros".

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