Eni e ExxonMobil esperam fechar acordos para venda de gás moçambicano em janeiro

Maputo, 28 dez ( Lusa) - O consórcio liderado pela Eni e ExxonMobil na área 4 da bacia do Rovuma, norte de Moçambique, espera "concluir totalmente" até janeiro acordos para a venda do gás produzido na região, informaram hoje as duas petrolíferas em comunicado.

"Estes compromissos serão um passo importante para o projeto de LNG [Gás Natural Liquefeito] do Rovuma e fornecerão uma sólida base para garantir o financiamento de projetos. Esta conquista destaca a força da nossa parceria e compromisso com o desenvolvimento dos recursos naturais de Moçambique", disse Massimo Mantovani, responsável pelo marketing da italiana Eni, citado no comunicado.

O projeto Rovuma LNG é operado pela Mozambique Rovuma Venture, uma 'joint venture' cujos acionistas são a ExxonMobil, Eni e CNODC - China National Oil and Gas Exploration and Development Corporation, que, conjuntamente, detêm uma participação de 70% por cento na concessão da área 4, cabendo três parcelas de 10% à coreana Kogas, Galp Energia e Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) de Moçambique.

Estes compromissos serão "um marco fundamental que permite aos participantes avançar rapidamente para uma decisão final de investimento em 2019", refere o documento.

Na semana passada, o Governo moçambicano anunciou que estava a rever o plano de desenvolvimento do consórcio liderado pelas multinacionais Eni e ExxonMobil para exploração de gás na bacia do Rovuma.

Este é o segundo projeto anunciado para exploração e liquefação de gás natural na área 4.

O consórcio anunciou há um ano a decisão final de investimento para explorar a zona sul dos depósitos de gás Coral - descobertos dentro da mesma -, num projeto que consiste numa plataforma flutuante (que está a ser construída) capaz de captar, liquefazer e exportar o gás para cargueiros.

O projeto Coral Sul deverá começar a produzir a partir de 2022 ao ritmo de 3,4 milhões de toneladas por ano, enquanto o projeto Rovuma LNG com gás extraído da zona Mamba deverá arrancar em 2024 com capacidade para fornecer 4,5 vezes mais, em simultâneo.

Em paralelo, um outro consórcio vai explorar a Área 1 da bacia do Rovuma, liderado pela petrolífera norte-americana Anadarko.

O plano de desenvolvimento do consórcio da Área 1 foi aprovado pelo Governo moçambicano em fevereiro para a península de Afungi, distrito de Palma, na província de Cabo Delgado.

Junto à vila de Palma - já chamada de futura cidade do gás -, estão a avançar obras para instalação de uma fábrica de liquefação de gás e infraestruturas associadas com capacidade para exportar 12 milhões de toneladas por ano.

A decisão final de investimento do consórcio da área 1 é também esperada para 2019.