Empresas portuguesas que participaram em feira no Brasil satisfeitas com perspetivas de negócio

Uma das maiores feiras de Defesa e Segurança da América Latina, a LAAD 2019, terminou hoje com a presença de dez empresas portuguesas que conseguiram "um diálogo muito próximo com o Ministério da Defesa brasileiro", avançaram fontes oficiais.

"As empresas [portuguesas] tiveram aqui um diálogo muito próximo com o Ministério da Defesa brasileiro, onde ouviram falar sobre as políticas no âmbito da defesa, tendo em vista (...) os bens e serviços para as Forças Armadas. Por outro lado, também apresentaram ao Ministério da Defesa do Brasil o seu portefólio e aquilo que verdadeiramente podem (...) fornecer às Forças Armadas brasileiras", afirmou à Lusa o presidente do IdD - Plataforma das Indústrias de Defesa Nacionais de Portugal, major-general Henrique Castanheira Macedo.

A 12.ª edição da LAAD começou na segunda-feira, no Estado brasileiro do Rio de Janeiro, e contou com a participação de 180 delegações oficiais, estimando a presença de mais de 37 mil visitantes e 450 expositores.

Adyta, AVP - Aero Voo de Portugal, CEIIA, Deimos Engenharia, EDISOFT, EFACEC, EID, GMV, MBS by BERD e OGMA foram as dez empresas portuguesas presentes no evento, representando áreas como aeronáutica, espaço, Comunicações e cibersegurança.

À agência Lusa, representantes de algumas das empresas classificaram como positiva a presença na LAAD.

O coordenador de marketing da EFACEC, Vasco Granadeiro, declarou que os setores de maior interesse para a sua companhia foram a defesa e a aeronáutica, devido aos 15 anos de experiência que a empresa tem no desenvolvimento e produção eletrónica para o espaço.

"O resultado desta visita, além de ser uma exploração do mercado, onde viemos ver quais são as lacunas que conseguimos preencher, teve muito sucesso. Foi concretizada com alguns contactos, nomeadamente ao nível das Forças Armadas brasileiras. Estou a falar da Força Aérea e do Exército que, neste momento, estão a desenvolver projetos que envolvem o uso de satélites e é neste campo que nós temos muita experiência no desenvolvimento de componentes", frisou Vasco Granadeiro.

Também Bruno Morais, sócio da AVP - Aero Voo de Portugal, mostrou-se satisfeito com os resultados obtidos ao longo dos quatro dias de feira.

"Foi muito bom. A companhia trabalha na área da manutenção de componentes de aeronaves militares (...) e há sempre mercado (...) aqui na América do Sul. Se eu tivesse vindo como uma entidade privada, sozinho, se calhar não tinha feito os contactos que estabeleci", disse Bruno Morais, realçando a importância do trabalho conjunto das entidades portuguesas no evento.

"Correu bem. Assinei um protocolo com uma empresa de agenciamento. Já fiz uma série de contactos, nomeadamente com forças militares, para ter suporte local com algumas agências, de forma a reparar equipamento para cá. Agora é ver que outros futuros que isto poderá dar", acrescentou o representante da AVP.

A MBS by BERD marcou presença nesta feira com o objetivo de conseguir alcançar protocolos para o envio de pontes modulares para os exércitos de vários países.

"O que nós conseguimos alcançar aqui foi o contacto com entidades de vários países, nomeadamente do Brasil, que era o nosso principal objetivo, de Timor-Leste, Angola, Colômbia, em que conseguimos excelente contacto com o ministro da Defesa (...) e também com a Arábia Saudita e México. O nosso objetivo é conseguirmos os protocolos para o envio de pontes modulares para os exércitos de cada país", adiantou Stephanie Mota, do departamento comercial da MBS by Berd.

Considerada uma das maiores feiras de defesa e segurança da América Latina, a LAAD é organizada com o apoio do Ministério da Defesa, das Forças Armadas e do Ministério da Justiça do Brasil.

Durante o certame foi ainda assinado um protocolo de intenções, entre a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) e a IdD que, de acordo com Roberto Gallo, presidente da ABIMDE, representa o início de uma nova fase de relacionamento e de ações conjuntas entre os dois países e as respetivas indústrias de defesa.

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