Empresários estrangeiros receiam agravamento económico em Timor-Leste

Empresários estrangeiros com investimentos em Timor-Leste mostraram-se hoje preocupados que a situação política no país possa este ano voltar a ter um impacto negativo na economia nacional, afirmando que muitas empresas não vão aguentar.

"Eu falo com os meus amigos empresários. Não aguentamos mais. Eu próprio tenho estado a sofrer. Em 2018 perdi dinheiro e, a perder esses valores, se continuar este ano, estou acabado", disse à Lusa Clarence Lim, responsável máximo do grupo Kmanek, que conta com dois grandes supermercados na capital.

"Por isso peço por favor: façam alguma coisa. Ajudem o setor privado a sobreviver", apelou aos líderes políticos do país.

Timor-Leste voltou a começar 2019 em duodécimos depois do atraso na aprovação do Orçamento Geral do Estado (OGE) que está agora com o Presidente da República, que tem até 23 de janeiro para decidir se veta ou promulga o documento.

Apesar de ter um Governo com maioria absoluta -- saído das eleições antecipadas do ano passado, convocadas depois da dissolução do parlamento eleito em 2017 --, um veto presidencial poderia causar grande instabilidade política e económica.

Isso agravaria a situação económica do país onde o recuo nos gastos públicos -- o país esteve no ano passado nove meses em duodécimos -- está a ter um impacto devastador no emergente setor privado nacional.

Clarence Lim admite que a situação tem sido "muito dura".

"As coisas têm sido muito duras. Em 2018, comparativamente a 2017, recuámos mais 20% em média. Na primeira metade do ano tivemos uma queda de 17%. Depois, no segundo semestre, foi ainda maior, de cerca de 25%", disse.

"Este ano começou já com quedas de 35% comparativamente a 2017", sublinhou o empresário que tem no grupo 30 trabalhadores internacionais, 200 timorenses e compra a mais de 500 grupos de agricultores.

Aos políticos, Lim pede para que "trabalhem para criar um ambiente mais favorável para o setor privado" e explica que dificilmente conseguirá manter todos os trabalhadores se a situação não mudar.

"Devem melhorar a burocracia, desde o topo até alfândegas e demais. Para que os investidores, os empresários não tenham que continua a enfrentar estes obstáculos constantes", defendeu.

Tony Jape, responsável do maior centro comercial de Timor-Leste, o Timor Plaza -- e que emprega mais de 350 pessoas -- concorda, afirmando que 2018 "foi o ano mais duro" para a economia nacional.

"Vimos muitos negócios a fechar. Felizmente aqui conseguimos manter os nossos inquilinos. Mas sabemos que eles próprios estão a passar um mau bocado", disse.

Os que lidam com o Governo, em especial, sentem grandes problemas e estão há sete ou oito meses sem receber. Isso torna muito difícil que consigam pagar a renda e os seus custos", sublinhou.

Jape diz que muitos dos empresários com quem fala estão "a ter que despedir pessoas ou a usar menos trabalhadores e isso não é um bom sinal".

"Toda a gente está a cortar funcionários. Espero que isto não dure muito. Precisamos que o OGE seja aprovado para que a economia avance. Há mais empresas a fechar do que a abrir", declarou.

"É impossível aguentar outro ano. Nenhum país aguentaria isso", afirmou.

Jape apela aos políticos para que repitam o modelo do passado "em que trabalharam bem juntos", sentando-se para "conversar e decidir o que fazer para o futuro" de Timor-Leste.

"Eu continuo empenhado. Temos planos a longo prazo e esperamos que isto se resolva. Mesmo em momentos duros, temos que continuar a procurar oportunidades", concluiu.

 

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