Embarcação com 54 passageiros ficou mais de cinco horas à deriva em São Tomé

Uma embarcação que fazia a ligação entre a ilha do Príncipe e São Tomé, com 54 passageiros a bordo, incluindo oito crianças, ficou hoje mais de cinco horas à deriva por falta de combustível, disseram várias fontes.

Já em São Tomé, três mulheres foram socorridas pelos bombeiros por terem desmaiado.

"São três mulheres que careciam do nosso socorro, levámo-las para o hospital, mas não inspiram grandes cuidados", disse um dos 10 elementos dos serviços de bombeiros e proteção civil mobilizados para o incidente.

Os passageiros dizem ter ido para o porto por volta das 14:00 de sábado, mas teriam embarcado apenas depois das 23:00. Às 09:00 de domingo, já a curta distância de São Tomé, ficaram à deriva por falta de combustível.

"Podíamos chegar a terra por volta das 08:00, mas o gasóleo acabou. Nós ficámos assustados, mas o comandante depois tranquilizou-nos dizendo que o problema era falta de gasóleo", descreveu a passageira Maria Tereza.

Acusa as autoridades competentes de "não estarem à altura" para lidar com o incidente, apontando o dedo a Guarda Costeira.

O responsável da Guarda Costeira garante que não tomou conhecimento de que havia um barco no alto mar sem combustível, mas um jovem, cuja esposa se encontrava na embarcação, desmentiu-o.

"Fui eu que falei com o comandante da Guarda Costeira", disse Hélder Guadalupe.

"Nós vínhamos, e a certa altura o barco parou. Eles [tripulação], ao invés de nos avisarem de que o combustível acabou, calaram-se e quando alguns passageiros entraram em pânico e começaram a gritar é que o comandante disse que o barco ficou sem combustível", contou, por seu lado, Albertina, de cerca de 80 anos.

O comandante da embarcação Maribai, o português Luís Coelho recusou-se a responder às perguntas dos jornalistas e remeteu o esclarecimento sobre o incidente para "um "relatório" que disse que irá "apresentar às autoridades competentes".

O Instituto Marítimo e Portuário é a instituição que assegura se todas as condições estão reunidas antes de autorizar a partida de qualquer navio.

"Esta situação é bastante preocupante. Nós tomámos conhecimento dessa situação por via da rede social Facebook e deslocamo-nos até ao porto para nos inteirarmos sobre o que é que aconteceu", disse o diretor da instituição, Nascimento Mendes.

Depois de mais de cinco horas à deriva, uma outra embarcação foi enviada para abastecer o Maribai, que concluiu depois a viagem até ao porto de São Tomé.

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