Economistas alertam para elevado endividamento público português

Lisboa, 24 mai 2019 (Lusa) - Os economistas Cristina Casalinho e Pedro Braz Teixeira alertaram hoje para o elevado nível de endividamento externo nacional, tendo o ex-ministro da Economia Augusto Mateus salientado o papel da despesa estrangeira no país.

A economista Cristina Casalinho, presidente do IGCP, agência que gere a dívida pública portuguesa, alertou hoje para o "nível de endividamento tão elevado" em Portugal, que classificou de "característica" do país, e apelou a "começar a pensar" em fazer poupança interna para "baixar a taxa de dividendos" das empresas.

"As empresas portuguesas não podem não ser tão produtivas como as outras e distribuir dividendos muito altos", afirmou Cristina Casalinho, acrescentando que "a crise, a bem ou a mal, mudou um bocadinho essa lógica".

Cristina Casalinho considerou ainda que a ancoragem no sistema bancário "não é, pelas suas características, um sistema adequado ao financiamento à inovação", uma vez que "o financiamento que privilegia o aparecimento das 'startups' está no 'shadow banking' [sistema bancário sombra] e fora do sistema bancário".

Para a presidente do IGCP, os bancos passaram "quase uma década a limpar os seus balanços", o que levou a que "a capacidade de dar crédito" não fosse "provavelmente a prioridade", uma vez que "não há financiamento saudável sem bancos saudáveis".

Por sua vez, também presente no debate "Fórum Financeiro Outlook 2019 "Portugal - De aqui para onde?", a decorrer em Lisboa, Pedro Braz Teixeira, economista do Fórum para a Competitividade, considerou que a dívida externa nacional coloca Portugal num estado de "vulnerabilidade que é quase toda financeira", e que o desenvolvimento económico do país aconteceu "quase por acaso", sem "um plano".

O economista alertou para o facto de não haver "uma consciência nacional da gravidade dos problemas conjunturais" da economia portuguesa.

Pedro Braz Teixeira disse que é necessário "aumentar a dimensão média das empresas portuguesas", "fomentar o investimento direto estrangeiro" e ainda "ver o que está a ser feito nos países de leste", com números de crescimento económico acima dos nacionais.

Já o antigo ministro da Economia Augusto Mateus disse que o que mudou em Portugal nos últimos anos foi "a despesa de consumo de não residentes", que anteriormente era "inferior a 5% e hoje é superior a 12%".

"O peso aumentou 7,5% em pouco mais de uma década, o que é uma revolução na economia", considerou, acrescentando que este é um fator "muito relacionado com o turismo", mas também com "o comércio internacional e cadeias de valor mundiais".

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