Draghi diz em Itália que sair da UE ou do euro não dá maior soberania

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou hoje em Itália, país governado por duas forças eurocéticas, que sair da União Europeia (UE) ou do euro não dá maior soberania.

"Estar fora da UE podia levar a uma maior independência política, mas não necessariamente a uma maior soberania. O mesmo ocorre com a moeda única", disse Draghi, no discurso que pronunciou ao receber o doutoramento Honoris Causa na Universidade de Bolonha, numa altura em que a Itália é governada por uma coligação de duas forças eurocéticas, a Liga (nacionalista) e o Movimento 5 Estrelas (antissistema).

"A UE é um marco institucional que permitiu aos Estados-membros ser soberanos em muitas áreas, é uma soberania partilhada, que é preferível a nenhuma em absoluto, é uma soberania complementar à exercida pelos Estados nacionais individualmente noutras áreas", afirmou.

Sem dar indicações sobre a política monetária do BCE, Draghi sublinhou a importância do projeto de integração europeia e salientou que atualmente "é mais relevante do que nunca".

Depois de sublinhar o "êxito político e económico" da UE que permitiu criar "uma prosperidade generalizada e duradoura fundada no Mercado Único e protegida pela moeda única", o economista italiano criticou os que argumentam que uma maior integração equivale a maior cedência de soberania.

O presidente do BCE defendeu que os Estados independentes "estão mais expostos a efeitos financeiros e a políticas comerciais agressivas de países estrangeiros" e recordou que "a UE representa 16,5% da produção económica mundial, só atrás da China, o que permite aos países europeus ter acesso a um grande mercado interno".

Ao referir-se à instituição a que preside, Draghi indicou que o BCE "enfrentou uma série de desafios que poucos podiam prever" e disse que a política monetária "cumpriu com êxito o seu mandato".

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