Donald Trump considera a inteligência artificial uma prioridade

O Presidente norte-americano, Donald Trump, ordenou na segunda-feira ao Governo que dê prioridade à inteligência artificial (IA), um domínio onde a supremacia dos EUA poderia estar a ser ameaçada pela China.

"Os norte-americanos têm beneficiado enormemente de terem sido os precursores e líderes internacionais na IA", afirmou Trump, em comunicado divulgado pela Casa Branca.

"Não obstante, considerando a velocidade com que avança a inovação em inteligência artificial, não podemos permanecer passivos, dizendo a nós próprios que a nossa supremacia está garantida", ainda segundo o texto distribuído.

Em lado algum do comunicado, porém, Trump menciona a estratégia ou o financiamento para apoiar o objetivo.

O comunicado é divulgado num momento em que as relações de Washington com Pequim são, pelo menos, tensas.

Entre os vários temas de discórdia estão as tecnologias, em particular alguns segmentos da inteligência artificial, domínio em que a China está a investir massivamente.

Se Darrell West, que dirige o Centro para a Inovação tecnológica do centro de reflexão Brookings Institution, compreendeu o momento escolhido para a divulgação desta intenção, já se interrogou sobre a ausência e detalhes da iniciativa.

"Com a China a tencionar investir 150 mil milhões de dólares (133 mil milhões de euros) para se tornar o primeiro país em matéria de IA, é importante que os EUA mantenham o ritmo, porque a IA vai transformar numerosos setores", adiantou.

Mas, "o Presidente lança por vezes iniciativas que parecem bem, mas que têm poucos efeitos", avisou Darrell West.

O mesmo tom veio do Center for Data Innovation: é uma boa ideia, mas é preciso que os EUA tenham uma estratégia global, sobre o comércio livre eletrónico ou a regulamentação de recolha de dados, por exemplo.

A Casa Branca avançou algumas pistas, como mais recursos afetados à investigação, recomendações para uma regulamentação, promoção da IA na educação ou melhoria da competitividade dos EUA.

No comunicado não se mencionou a China, mas apelou-se a "proteger a vantagem [dos EUA] na IA e as tecnologias cruciais para os interesses ligados à segurança nacional e à economia contra os concorrentes estratégicos e adversários estrangeiros".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

Premium

Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.