Dois veteranos do partido de Erdogan criticam anulação de eleição em Istambul

Ancara, 08 mai 2019 (Lusa) -- Dois veteranos do partido islâmico-conservador do chefe de Estado turco, Recep Tayyip Erdogan, o antigo presidente Abdullah Gul e o ex-primeiro-ministro Ahmet Davutoglu, criticaram a anulação da eleição municipal em Istambul vencida pela oposição.

Os dois homens, que foram figuras destacadas do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, no poder na Turquia desde 2002), divulgaram as críticas em mensagens na rede social Twitter na noite de terça-feira.

Gul, presidente entre 2007 e 2014, comparou a anulação na segunda-feira pelo Comité Eleitoral da Turquia (CET) da vitória do candidato da oposição à câmara de Istambul à invalidação pelo Tribunal Constitucional em 2007 da sua eleição pelo parlamento como presidente da República.

O motivo desta invalidação foi não ter sido atingido o quórum de 367 deputados, numa sessão boicotada pela oposição precisamente para que a eleição fosse anulada.

"O que senti em 2007 com a decisão injusta do Tribunal Constitucional senti-o ontem (segunda-feira) quando um outro órgão superior, o Comité Eleitoral, divulgou a sua decisão", escreveu Gul.

"É lamentável que não possamos seguir em frente", adiantou.

Davutoglu, que ocupou o cargo de primeiro-ministro entre 2014 e 2016, considerou por seu turno que a decisão do Comité Eleitoral mina a democracia turca.

"O valor fundamental da nossa tradição política deve ser garantir que a vontade do povo é refletida nas urnas. Sejam quais forem os pretextos e as razões, os acontecimentos que se seguiram às eleições de 31 de março e a decisão CET minaram um dos nossos valores fundamentais", disse.

A derrota do AKP em Istambul, que controlava há 25 anos, representou um revés sem precedentes para Erdogan, que muitas vezes no passado declarou que "quem ganha Istambul, ganha a Turquia".

Depois de vários recursos do AKP, o Comité Eleitoral anunciou na segunda-feira a anulação dos resultados da eleição municipal vencida pelo candidato da oposição Ekrem Imamoglu e a realização de nova votação a 23 de junho.

A oposição denunciou um "'putsch' contra as urnas" e uma medida que encaminha a Turquia para "a ditadura", enquanto Erdogan expressou satisfação por ter conseguido uma nova eleição.

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