Diversidade cultural marca projeto Solos e Solidão em Viseu até outubro

Leonor Keil, Filho da Mãe, Jaime Raposo, Afonso Cruz, Teatro do Oprimido, Palmilha Dentada e João Cosme são alguns dos nomes que estarão em Viseu até outubro, no âmbito do projeto Solos e Solidão, que foi hoje apresentado.

Promovido pela cooperativa cultural Acrítica, que dinamiza o espaço Carmo'81, o projeto Solos e Solidão prima pela diversidade, com um programa que integra cinema, teatro, artes plásticas, fotografia e música.

A Acrítica realizava anualmente um festival que tinha a duração de um mês, um formato que este ano foi reformulado.

"Decidimos reordenar este formato e torná-lo mais longo, até porque este tema dos Solos e Solidão não se consegue tratar em pouco tempo", justificou Nuno Rodrigues, da Acrítica.

Até outubro, em cada mês (à exceção de julho), esta temática será refletida através de cinco ciclos: cinema (maio), teatro (junho), artes plásticas (agosto), fotografia (setembro) e música (outubro).

Maio é o mês do cinema e, em parceria com o Cine Clube de Viseu, serão apresentados os filmes "Lucky", de John Carroll Lynch (2017), "Nostalgia", de Andrei Tarkovski (1983), "Alemanha, ano zero", de Roberto Rossellini (1948), e "Colo", de Teresa Villaverde (2017).

"Lucky" será o primeiro a ser exibido, a 08 de maio, abordando a história de um "velho ateu, solitário e rabugento de 90 anos", que vive numa pequena cidade do Texas.

"Define muito do que nós sentimos que é o espírito destes ciclos. Este senhor tem uma vida de solidão, escolhida e procurada, entretanto começa a ver o fim da vida a chegar e já se sente sozinho e precisa de alguma companhia", disse Nuno Rodrigues.

Rodrigo Francisco, do Cine Clube de Viseu, frisou as vantagens de trabalhar em conjunto, como o facto de poder fazer mais sessões por semana (duas, em vez de uma) e de ter em Viseu Acácio de Almeida, responsável pela fotografia de "Colo".

Em junho, o destaque vai para "Um esqueleto de baleia na casa dos avós", uma criação conjunta de Leonor Keil, Carlota Lagido, Bruno Pernadas, Rui Catalão e Cristóvão Cunha.

Julho não terá qualquer ciclo devido à dinâmica cultural que a cidade de Viseu já tem neste mês. Agosto será dedicado às artes plásticas, com a loja/galeria do artista local, que terá uma programação regular, sobretudo durante o dia.

Setembro será um mês dedicado à fotografia, com destaque para a presença do fotógrafo da natureza João Cosme, enquanto outubro ficará reservado para a música, podendo ouvir-se Filho da Mãe e Kalaf, entre outros músicos.

O projeto Solos e Solidão foi financiado pelo município em 25 mil euros, de um total de 35 mil euros.

O vereador da Cultura, Jorge Sobrado, frisou o facto de a Acrítica ter preparado uma programação "que é não apenas nova, mas que é fresca e tem a inteligência e a sensibilidade de acrescentar valor à programação existente na cidade".

"A agenda cultural de Viseu fica mais completa, mais forte", frisou.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.